quinta-feira, 25 de junho de 2020

Capítulo 05 - Análise Sintática Interna (1)

5.3. Objeto direto
É o termo que, ligado a VTD ou VTDI sem preposição obrigatória, normalmente representa o alvo da ação exercida pelo sujeito.

objeto direto é uma função desempenhada por substantivo, pronome, numeral, palavra substantivada ou oração subordinada substantiva objetiva direta:
Na transposição para a voz passiva, o verbo não deixa de ser VTD ou VTDI, mas o objeto direto transforma-se em sujeito paciente:

I. Objeto direto preposicionado
A preposição que o introduz não é regida pelo verbo (sempre VTD) e é usada para efeitos expressivos, de elegância ou para evitar ambigüidades:
Complemento cujo sentido já participa do universo de significados do próprio verbo. É de rigor que o objeto venha acompanhado de um adjunto, caso contrário se incorre em uma redundância:

III. Objeto direto pleonástico
Normalmente constituído de pronome ou numeral, é termo descartável que retoma objeto direto já expresso na oração:

5.4. Objeto indireto

Complemento com preposição exigida pelo verbo (VTI ou VTDI), o objeto indireto não se transforma em sujeito paciente na passagem para a voz passiva, com exceção do verbo obedecer e desobedecer:

objeto indireto pode ser representado por substantivo, pronome, numeral, palavra substantivada ou oração subordinada substantiva objetiva indireta:


5.5. Objeto indireto  pleonástico


Idem ao objeto direto.

Aos proprietários, nada lhes devo.


6. Vocativo
Isolado do restante da oração por meio de vírgulas, travessões ou parênteses, o vocativo (Voc) é, a rigor, um termo sintaticamente independente: não participa do sujeito nem do predicado. Pertence à mesma família de vocação (chamamento interior, voz da alma, do coração, ato de interpelar), e de palavras como invocar, convocar, evocar e avocar.

Proveniente de vocare (“chamar”, “invocar”, em latim), o vocativo estabelece um diálogo real ou imaginário entre quem enuncia a frase (emissor) e o seu interlocutor (receptor). Admite a interjeição ó (ou ô):

“Meu canto de morte, guerreiros, ouvi.” (G. Dias)

Ô cara, sai dessa!

“O almoço está pronto, gordo inútil!”(Quino)
Cuidados para não confundir sujeito e vocativo. Observe:

Vera, faz toda a lição!

“Vera” é vocativo e o sujeito do verbo “FAZ” (imperativo) é tu.



7. Tipos de Predicado

7.1. Predicado nominal

Constitui-se de verbo de ligação e tem como núcleo significativo um nome (substantivo ou adjetivo) ou pronome, numeral ou advérbio. Tal núcleo significativo, relacionado ao sujeito, é o predicativo do sujeito:



7.2. Predicado verbal

Constitui-se de verbo significativo (transitivo ou intransitivo):





7.3. Predicado verbo-nominal

Constitui-se de dois núcleos significativos: um verbo nocional (transitivo ou intransitivo) e um predicativo (do sujeito ou do objeto):


Tipologia do Predicado
PN = VL + PS
PV1 = VI
PV2 = VT + O
PVN1 = VI + PS
PVN2 = VT + O + PS
PVN3 = VT + O + PO



8. Vozes Verbais
Dá-se o nome de voz verbal à forma que o verbo assume para denotar se a ação verbal é praticada e/ou sofrida pelo sujeito.
São três vozes verbais: ativa, passiva  e reflexiva.

8.1. Voz ativa
Quando o sujeito é o pólo inicial da ação (isto é, o sujeito é agente ou ativo), diz-se que a voz é ativa:

8.2. Voz passiva
Se o sujeito é o pólo final da ação, ou seja, se sobre o sujeito recai a ação praticada por outro agente, diz-se que a voz é passiva:

I. Voz passiva analítica

A estrutura sintática mínima da voz passiva analítica (VPA) consiste em um sujeito passivo e um predicado com o auxiliar ser seguido do verbo principal no particípio:



Repare que na transposição da VA para a VPA sempre aparecerá um verbo a mais (o verbo ser):

 
II. Voz Passiva Sintética
A estrutura mínima da voz passiva sintética (VPS) é constituída de VTD ou VTDI acrescido de pronome apassivador se (PA):

Note que numa voz passiva analítica ou sintética não ocorre objeto direto: a ele corresponde o sujeito passivo, mas o verbo não deixa de ser VTD ou VTDI. Por isso, o verbo seguido de PA flexiona-se normalmente de acordo com o sujeito:

8.3. Voz reflexiva

Na voz reflexiva (VR), o sujeito é o agente de uma ação cujos efeitos ele mesmo sofre (SAP):



8.4. Voz reflexiva recíproca

Na voz reflexiva recíproca (VRR), ocorre ação mútua, recíproca, e os verbos no plural podem ser reforçados por expressões como mutuamente, reciprocamente, um ao outro, uns aos outros, entre si:




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