| Capítulo 03. Verbo | |||||||
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1. Definição
Normalmente, o verbo tem sido definido como a palavra que exprime ação, estado ou fenômeno da natureza. Porém, tal conceito de caráter semântico e não morfossintático leva a pelo menos dois equívocos. Primeiro: há verbos cuja significação não se enquadra em nenhuma das três situações; é o caso de desejar, querer, poder, dever, acontecer, ocorrer, convir e muitos outros. Segundo: existem palavras de outras classes que se ajustam àquela definição; exemplos disso são alguns substantivos como chuva, neve, relâmpago etc. (fenômenos), luta, combate, queda etc. (ações) e adjetivos como cansado, triste, exausto, eufórico etc. (estados). Na verdade, o que nos leva a identificar uma palavra como verbo são as suas características morfossintáticas, tais como as flexões de tempo e modo, além das de número, pessoa e voz, e não o critério semântico. |
2. Classificação
I. Primeira conjugação (AR)
A ampla maioria dos verbos pertence a esse grupo caracterizado pela vogal temática – a – e pela relativa regularidade. À exceção de alguns verbos, ele tende a não oferecer dificuldades na conjugação. É a única conjugação viva, pois a ela pertencem todos os verbos novos criados no idioma, como televisionar, agilizar, globalizar. As demais são as conjugações mortas, pois a ela pertencem apenas verbos existentes.
II. Segunda conjugação (ER)
Identificado pela vogal temática – e –, esse grupo inclui também o verbo pôr (e seus derivados), já que, etimologicamente, ele apresenta aquela vogal temática. Proveniente do latim ponere, o verbo pôr lentamente se modificou e a vogal temática desapareceu do infinitivo (ponere > põer > poer > pôr), mas subsiste em formas como põe, põem etc. À segunda conjugação pertencem muitos verbos irregulares, abundantes, defectivos e anômalos: ver, pôr, ter, haver, ser, eleger, precaver, reaver etc.
III. Terceira conjugação (IR)
Poucos na Língua Portuguesa, os verbos marcados pela vogal temática – i – tendem a uma relativa irregularidade na conjugação. É o caso de verbos como: ir, vir, polir, além dos terminados em ertir, etir, erir, elir, ergir, enir, edir, brir, udir, dir, uir, uzir etc. e boa parte dos defectivos.
I. Regulares
São os verbos que mantêm inalterado o seu radical em todas as etapas da conjugação e seguem fielmente os paradigmas.
II. Irregulares
São os verbos cujo radical ou desinência sofre alteração em alguma etapa da conjugação verbal; não obedecem precisamente, pois, ao paradigma da respectiva conjugação. | ||||||
III. Anômalos
Não há consenso entre os gramáticos em torno dos anômalos. A distinção entre verbos irregulares e anômalos não é adotada pela Nomenclatura Gramatical Portuguesa, enquanto a Nomenclatura Gramatical Brasileira chama anômalos os verbos ser, ir, ver, vir, estar, haver e pôr, dada a enorme irregularidade que apresentam. Alguns autores consideram apenas os verbos ser e vir como anômalos, assim definidos por se constituírem de mais de um radical (ser : sou, és, fui, ir: vou, irei, for).
IV. Abundantes
São os verbos que apresentam mais de uma forma para a mesma flexão. É o caso do verbo haver no presente (nós havemos ou hemos, vós haveis ou heis) e de verbos que apresentam mais de uma forma no particípio, caso de pagar (pagado, pago), aceitar (aceitado, aceito, aceite) etc.
V. Defectivos
Apresentam lacunas na conjugação, ou seja, não são conjugados em todas as pessoas, tempos ou modos. Tal é o caso, por exemplo, dos verbos reaver e precaver, que não possuem a maioria das formas dos presentes e dos imperativos. Nos pretéritos e futuros, esses verbos são regulares. Desse modo, frases como “Sempre reavenho o que perco” e “Espero que você se precaveja” não fazem parte do padrão culto do idioma. Mais adiante, veremos que os verbos defectivos são divididos em impessoais, pessoais e unipessoais. Além dessas categorias, há os verbos auxiliares, que participam da conjugação de outros, chamados de verbos principais, que se apresentam no gerúndio ou infinitivo (nas locuções verbais) e no particípio (nos tempos compostos). |
I. Impessoais
São os verbos sem sujeito, como os que indicam fenômenos da natureza (chover, ventar, relampejar, amanhecer etc.), além de verbos como ser, estar, haver e fazer em situações específicas que serão estudadas mais adiante.
II. Pessoais
Constituem a ampla maioria dos verbos. Têm sempre sujeito determinado ou indeterminado.
III. Nocionais (ou significativos)
São os que, na oração, exprimem processos: ações, acontecimentos, desejos, fenômenos, atividades físicas, emocionais e mentais etc. É o caso de falar, comer, partir, resolver, ocorrer, acontecer, suceder, morrer, nascer, desejar, querer, pensar, considerar, chover, ventar etc. Constituem o núcleo dos predicados verbais e verbo-nominais. Podem ser transitivos e intransitivos.
IV. Não-nocionais ou relacionais (ou de ligação)
São os verbos que, numa oração, indicam estados, qualidades, condições, os quais, quando relativos ao sujeito, são chamados de predicativos do sujeito. Podem ser de ligação verbos como ser, estar, parecer, permanecer, ficar, continuar, tornar-se, virar, andar, viver, passar, subir, cair, achar-se, encontrar-se, acabar etc. Fazem parte do predicado, mas não são núcleos (predicado nominal). Nesses casos, o núcleo do predicado é um nome (substantivo, adjetivo, numeral ou pronome).
Rizotônicas (do grego rizo, “raiz”, e tonôs, “força”) são as formas verbais cujo acento tônico ocorre dentro do radical: ando, corres, partem etc. Arrizotônicas, ao contrário, são as formas verbais cujo acento tônico ocorre fora do radical, ou seja, na desinência: andamos, correrá, partiríeis etc. São rizotônicas as formas eu, tu, ele e eles do presente do indicativo e do presente do subjuntivo, tu, você e vocês do imperativo afirmativo e negativo. São arrizotônicas as demais formas verbais. |
O verbo flexiona-se em número (singular e plural) e em pessoa: a primeira (o falante), a segunda (o interlocutor) e a terceira (o referente). ![]() |
Além dos modos e tempos, há as formas nominais: gerúndio (andando), infinitivo (andar) e particípio (andando). Destas formas, somente o infinitivo e o gerúndio possuem formas compostas, e somente o infinitivo e o particípio se subdividem: este se divide em regular e irregular e aquele se divide em pessoal e impessoal. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Modo indicativo
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Modo subjuntivo
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Modo imperativo
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Formas nominais
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Em virtude de seu largo uso na língua, é fundamental conhecer bem a conjugação dos verbos auxiliares. Nas locuções verbais e tempos compostos, eles antecedem o verbo principal que se apresenta numa forma nominal (gerúndio, particípio ou infinitivo). Vejamos a conjugação dos auxiliares mais comuns, entre os quais estão os verbos ser e ir, classificados como anômalos, conforme estudaremos mais adiante.
Modo indicativo
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b) Os demais verbos terminados em – iar são regulares: copiar, denunciar, renunciar, avaliar, variar, adiar, vadiar etc. Alguns, como premiar e negociar, podem ser conjugados regularmente ou irregularmente. É correto dizer 'ele negoceia o crédito com o banco' ou 'a associação premeia mulheres empreendedoras'.

II. Segunda conjugação |

Observações
São verbos regulares em outros tempos.

Repare na semelhança entre as segundas e terceiras pessoas do plural dos dois verbos.
Repare na semelhança entre as segundas e terceiras pessoas do plural dos dois verbos.


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Observações
Os verbos haver e ser têm presente do subjuntivo que não se forma a partir do radical do presente do indicativo.As formas do presente do subjuntivo de haver são homófonas com as do verbo agir: aja, ajas, aja, ajamos, ajais, ajam. Na dúvida, substitua haja por exista e aja por atue. É necessário que haja (= tenha) um reforço do policiamento nas cidades. Não aja (= proceda) contra seus princípios. O verbo haver é abundante no presente do indicativo: havemos ou hemos, haveis ou heis. O imperativo afirmativo de ser não obedece às regras de formação vistas: Sê (tu), Seja (você), Sejamos (nós), Sede (vós), Sejam (vocês). Atente nas formas de terceira pessoa do singular e do plural do verbo ter: ele tem e eles têm. Nos verbos derivados as formas de singular e de plural são acentuadas: mantém, mantêm; detém, detêm; contém, contêm etc.
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Observações
Repare que a irregularidade desses verbos está na primeira pessoa do singular do presente do indicativo: o radical do infinitivo (ader – , compet – , prefer –) é trocado por adir – , compit – , prefir –. Outros verbos têm a mesma irregularidade: advertir, conferir, despir, digerir, discernir, divergir, divertir, expelir, ferir, inserir, investir, referir, repelir, repetir, seguir, sentir, servir, sugerir, vestir etc. Por exemplo: eu invisto, eu confiro, eu me divirto, eu sigo, eu sinto, eu sugiro, eu sirvo, eu visto, eu repito, eu insiro, eu confiro etc. ![]()
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