2. Concordância Verbal
A concordância verbal e nominal é o subdomínio da Sintaxe que descreve (e quase sempre prescreve) os mecanismos de flexões verbais e nominais segundo os quais as palavras e os termos se harmonizam num contexto sintático. Há dois princípios gerais que regem as correlações flexionais:
1) todo verbo tende a se flexionar em número e pessoa de acordo com o sujeito;
2) todo determinante nominal – artigos, adjetivos, pronomes e numerais, incluindo particípios – tende a se flexionar em gênero e número de acordo com o substantivo a que se refere.
Esses dois princípios são a base da concordância verbal e da concordância nominal, respectivamente. Estudaremos neste módulo os principais casos da primeira.
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Jornal Zero Hora
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2.1. Impessoalização
A oração sem sujeito se articula em torno de verbos impessoais, os quais se flexionam apenas na 3ª pessoa do singular. Não obedecem, pois, à regra geral de concordância verbal, já que não têm sujeito, mesmo o restante da frase estando no plural:
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Lembre-se de que o verbo ser constitui exceção. Flexiona-se no singular ou no plural conforme a data, a hora ou a distância que indica:
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Quando se apõe a verbo impessoal um verbo auxiliar, este tem o mesmo comportamento sintático do verbo principal impessoal. Observe:
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Na linguagem oral do Brasil vai-se generalizando o uso de ter por existir e haver, em construções não abonadas pelas gramáticas. A literatura já registra esse uso:
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Recomenda-se que tais construções devam ser substituídas, a bem da adequação à norma culta, por:
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Não se esqueça de que são pessoais os verbos bater, soar e dar quando se referem às horas, mesmo com qualquer sujeito expresso:
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São também pessoais os verbos ocorrer, acontecer, suceder, existir, bem como chover, ventar, trovejar etc. quando empregados no sentido conotativo:
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2.2. Indeterminação
Conforme você viu nos módulos sobre análise dos termos da oração, pode-se indeterminar o sujeito deixando-se o verbo na terceira pessoa do plural:
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Pode-se também indeterminar o sujeito flexionando-se o verbo (VTI, VI ou VL) na terceira pessoa do singular acompanhado do índice de indeterminação do sujeito (se). Também é possível indeterminar o sujeito com verbos transitivos diretos, desde que venham acompanhados de um objeto direto preposicionado:
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Em orações com índice de indeterminação se, os verbos auxiliares também permanecem na terceira pessoa do singular:
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2.3. Apassivação
Na voz passiva analítica, flexiona-se o primeiro verbo auxiliar (em número e pessoa) e o verbo principal no particípio (em gênero e número) de acordo com o sujeito paciente:
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Na voz passiva sintética, o verbo transitivo direto (ou VTDI), acompanhado do pronome apassivador se, flexiona-se em número conforme o sujeito paciente. Quando o verbo é transitivo direto e indireto, somente a parte transitiva direta admite a transposição.
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Em locuções com os auxiliares poder, dever e costumar, muitas gramáticas admitem indiferente-mente o singular e o plural.
No plural, há uma locução verbal.
No singular, há uma falsa locução verbal, quando na verdade são dois verbos autônomos, sendo que a segunda oração funciona como sujeito da primeira.
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