quinta-feira, 25 de junho de 2020

Capítulo 04 - Outras Classes Gramaticais (2)

7. Pronome

7.1. Conceitos fundamentais
O pronome é a classe gramatical com capacidade de substituir o substantivo, o ser, ou de fazer referência a ele. Essa característica do pronome permite-lhe relacionar-se a qualquer pessoa do discurso, por isso falamos em pronome de 1ª, ou de 2ª, ou de 3ª pessoa.
O pronome exerce, também, papel importante na coesão do texto, assegurando-lhe lógica e coerência.

7.2. Pronomes pessoais
Pronomes de tratamento: você, senhor, senhora, senhorita, Vossa Senhoria, Vossa Excelência, Vossa Majestade, Vossa Santidade, Vossa Alteza etc.





I. Caso reto
Os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas) são, em geral, identificados como subjetivos, ou seja, desempenham o papel de sujeito. Todavia, há casos em que podem exercer as funções de predicativo do sujeito e vocativo (tu e vós).

II. Caso oblíquo
O pronome pessoal será oblíquo quando exercer a função de complemento:

Dependendo da acentuação, os pronomes pessoais oblíquos dividem-se em átonos e tônicos. Observação importante é que os pronomes oblíquos átonos nunca vêm precedidos de preposição, ao contrário dos tônicos, que sempre vêm precedidos de preposição, como bem exemplificam as frases abaixo, com pronomes oblíquos de primeira pessoa, átono e tônico, respectivamente:
Os pronomes ele, ela, nós, vós, eles, elas, quando precedidos de preposição, são oblíquos tônicos. Exercem a função de complemento (lembramos que o sujeito vem precedido de preposição):
Observação
Além de se, há dois outros pronomes que são reflexivos: si e consigo. Portanto só devem ser utilizados quando


Capítulo 04. Outras Classes Gramaticais
indicam que o sujeito de terceira pessoa se relaciona com um complemento também de terceira pessoa:

Orações como “gosto muito de si” estão erradas. Deve-se usar, nesse caso, o pronome de tratamento você.

III. Pronomes de tratamento
O pronome você – aglutinação de Vossa Mercê – é hoje muito mais utilizado como pronome reto em substituição a tu. Nesse sentido, representa a segunda pessoa do discurso (com quem se fala); entretanto, os verbos e pronomes que com ele concordam flexionam-se na terceira pessoa.
As demais expressões de tratamento, usualmente relacionadas à segunda pessoa, podem também referir-se à terceira pessoa do discurso. Nesse caso, a fórmula Vossa é substituída por Sua, e os verbos e os pronomes permanecem na terceira pessoa:

7.3. Pronomes possessivos
Os pronomes possessivos fundam uma relação de posse entre, de uma lado, as pessoas do discurso e, de outro, seres, coisas, fatos, conceitos. Todos são sempre pronomes possessivos, com exceção de nossa, que pode ser usado como interjeição, vossa e sua, que podem fazer parte de pronomes de tratamento. Apesar de as formas dele (e suas flexões dela, deles e delas) indicarem posse, são formas contraídas da preposição de com o pronome ele, os possessivos de terceira pessoa são seu(s) e sua(s).
Os possessivos são essencialmente pronomes adjetivos e funcionam como adjuntos adnominais equivalentes às expressões preposicionadas: de mim, de ti, de si, de nós, de vós e de si. Por vezes são empregados como pronomes substantivos:

Flexionam-se em gênero e número conforme o substantivo que designa o elemento possuído, mas concordam com a pessoa do elemento possuidor:
Nesse exemplo, o pronome tua refere-se à segunda pessoa do singular (tu = o possuidor) e concorda no singular feminino com o substantivo (porta = o possuído). Porém, ao determinar dois ou mais substantivos, concordará com o que lhe estiver mais próximo:



Normalmente anteposto ao substantivo, o pronome possessivo pode colocar-se após o substantivo em sentenças interrogativas diretas, ou quando não precedido de artigo definido:



Pode-se pospor o pronome possessivo ao substantivo, desde que este esteja determinado por pronome demonstrativo ou indefinido, por numeral ou por artigo indefinido:





7.4. Pronomes demonstrativos
Os pronomes demonstrativos atuam na frase para localizar (no tempo ou no espaço) coisas, pessoas, fatos em relação às pessoas do discurso. Podem ter função anafórica ou catafórica, retomando o que já se mencionou ou anunciando concisamente o que será mencionado.







Observe:

Quero saber o que você comeu.  Quero saber aquilo que você comeu.

Com exceção de isto, isso, aquilo, o, a, os e as, sempre pronomes substantivos e com papéis sintáticos diversos, os demonstrativos tendem, como os possessivos, a ser pronomes adjetivos (adjuntos adnominais), modificadores de substantivos explícitos ou elípticos. Além de se referirem à pessoa do discurso, são variáveis em gênero e número. O pronome mesmo admite o grau superlativo (mesmíssimo).
Alguns dentre eles, com exceção de mesmo, próprio, semelhante e tal, que são sempre formas simples, podem contrair-se com as preposições em, de e a:






I.  o, a, os, as
No singular, o demonstrativo o tem o valor de isto, isso, aquilo, aquele. Os demais – a, os, as – equivalem respectivamente a aquela, aqueles, aquelas.
Observe, nos exemplos acima, que os demonstrativos vêm seguidos de oração adjetiva. Tal relação, porém, pode não ocorrer com o demonstrativo o, que desempenha o papel de objeto direto ou predicativo do sujeito em estruturas como:

II. Tal
Quando pronome substantivo, equivale a isto, isso, aquilo (e variações):

Como adjunto adnominal (pronome adjetivo), equivale a semelhante(s). Precedido da preposição de, substitui o nome esquecido de uma pessoa ou lugar. Precedido da conjunção e, interrompe ou substitui uma descrição ou narração. Precedido do verbo ser, significa o ato de ser o melhor entre os outros. Precedido do artigo indefinido um, indica alguém ou alguma coisa desconhecida, ou também muito conhecida ou famosa, também usado com sentido irônico (de desinteresse):


Na locução tal qual, os pronomes são variáveis também:
Substantivado, denota importância, superioridade. Posposto ao substantivo, indica uma informação ou nome que não se quer ou não se pode especificar. Precedido do pronome que, é usado para fazer uma sugestão ou convite. Precedido da preposição acidental como, é usado para fazer uma comparação, exemplificação ou enumeração:

Adquire valor de advérbio em oração subordinada adverbial consecutiva normalmente seguida de conseqüência, seguida de hipérboles:







III. Semelhante
É pronome demonstrativo adjetivo que denota similaridade; antepõe-se a substantivos:



 Não confunda o pronome semelhante, equivalente a tal, com o substantivo e o adjetivo (= similar, parecido):








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