Capítulo 02. Morfossintaxe
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1. Adjetivo, Substantivo e Advérbio
Há uma estreita relação morfossintática e semântica entre o adjetivo, o substantivo e o advérbio. Pode-se, por exemplo, substantivar o adjetivo, antepondo-lhe o artigo:
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É recurso corrente na língua a transformação do substantivo em adjetivo:
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Outro recurso comum é a adverbialização do adjetivo masculino no singular:
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A possibilidade de adverbialização do adjetivo provoca, não raro, dúvidas na análise sintática com respeito ao adjunto adverbial e ao predicativo do sujeito. Compare as duas orações seguintes:
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No primeiro caso, o vocábulo rápido não-flexionado equivale a "rapidamente"; é, portanto, advérbio e desempenha o papel de adjunto adverbial de modo. Na outra frase, rápida concorda em gênero e número com o sujeito; desempenha, pois, a função de predicativo do sujeito.
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2. Pronome Pessoal
eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas
Funções sintáticas:
I. Sujeito (todos)
Era para eu fazer o relatório?
Tu e nós sairemos daqui.
Tanto ele quanto ela estão arrependidos.
II. Predicativo do Sujeito (todos)
Eu não sou mais eu.
Nós não somos ela.
III. Vocativo (tu e vós)
Ó tu, grande mestre que me socorre!
Ó vós, que no silêncio me acudis!
IV. Objeto Direto (ele, ela, eles, elas)
Conheço bem todas elas.
Observação
Há autores que analisam como retos os pronomes ele, ela, eles, elas exercendo a função de objeto direto em orações como:
Para outros, porém, trata-se de pronomes pessoais oblíquos tônicos na função de objeto direto com preposição elíptica.
Também há autores que analisam como retos os pronomes eu, ele, ela, eles, elas, nós e vós exercendo a função de aposto em orações como: Meu pai, apenas ele, é o melhor pai do mundo.
Os pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes) apresentam uma variedade de funções, ou seja, Bom Bril, 1001 utilidades. Chamados de objetivos, visto que geralmente exercem a função de objeto (direto ou indireto), podem contudo ser adjunto adnominal e até sujeito de orações reduzidas.
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Funções sintáticas:
I. Sujeito do Infinitivo (todos, exceto lhe e lhes)
Observe o período abaixo:
Repare que se trata de duas orações, uma principal e uma subordinada reduzida de infinitivo. Desenvolvendo o período, você obtém:
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Há casos em que o oblíquo átono pode ser sujeito de uma oração reduzida de gerúndio, como nas ocorrências abaixo:
Repare que se trata de frases ambíguas quando isoladas de contexto. Por isso, admitem dois desdobramentos cada uma:
a) Vi que eles agonizavam na estrada.
b) Vi-os enquanto eu agonizava na estrada.
c) Observamos que ela tentava abrir a porta.
d) Observamo-la enquanto tentávamos abrir a porta.
Note que nos desdobramentos (a) e (c), os oblíquos átonos equivalem a pronomes retos (eles, ela); nessa perspectiva, funcionam como sujeitos de agonizar e tentar. Nos outros desdobramentos, os átonos permanecem; são objetos diretos dos verbos ver e observar.
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II. Objeto Direto (todos, exceto lhe e lhes)
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III. Objeto Direto reflexivo
(me, te, se, nos, vos, se) ![]()
IV. Objeto Direto Recíproco (nos, vos, se)
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V. Objeto Indireto (todos, exceto o, a, os, as)
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VI. Objeto Indireto Reflexivo
(me, te, se, nos, vos, se) ![]()
VII. Objeto Indireto Recíproco
(nos, vos, se) ![]()
VIII. Complemento Nominal (todos, exceto se, o, a, os e as)
Observe o período:
Seria errônea a análise do pronome lhe como objeto indireto (função com a qual normalmente é identificado), já que o verbo ser é de ligação, e não transitivo indireto: conecta o predicativo difícil a um sujeito oracional. Desdobrando o período, você obtém:
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Fica claro que o pronome lhe, equivalente a para ele (ela), sintaticamente é complemento nominal do núcleo do predicativo difícil. Outros exemplos:
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IX. Adjunto Adnominal
(me, te, lhe, nos, vos, lhes)
Atente no período abaixo:
Nesse caso também, é incorreta a análise de lhe como objeto indireto, dado que o verbo é transitivo direto. Também é ilegítima a análise do lhe como objeto direto preposicionado. Criando-se uma frase equivalente, percebe-se que o pronome oblíquo encerra um valor possessivo, ou seja, exerce o papel de adjunto adnominal, típico de pronomes possessivos. Observe:
Repare que o oblíquo átono equivale a possessivos na função de adjunto adnominal do núcleo do objeto direto (imunidade).
Outros exemplos:
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Os pronomes oblíquos tônicos (mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, si, eles, elas) bem como suas formas contraídas (comigo, contigo, consigo, conosco e convosco) são em geral pronomes objetivos, mas podem exercer outros papéis além do de objeto (direto ou indireto): complemento nominal, agente da passiva e adjunto adverbial.
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Funções sintáticas:
I. Objeto Indireto (todos)
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II. Objeto Direto Preposicionado (todos)
III. Complemento Nominal (todos)
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IV. Agente da Voz Passiva (todos)
V. Adjunto Adverbial (todos)
Muitas vezes, ao juntarmos pronome oblíquo átono a uma forma verbal oxítona ou monossilábica tônica, ela assume algumas das terminações que obrigam à acentuação gráfica. Veja:
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I. Variações dos Pronomes o, a, os e as
Em determinados contextos sintáticos, os pronomes oblíquos átonos o, a, os e as transformam-se graficamente nas modalidades lo, la, los e las, ou no, na, nos, nas.
As formas lo, la, los e las – tanto mesoclíticas quanto enclíticas – ocorrem quando se associam às formas verbais encerradas por -r, -s ou -z. Caso sejam proclíticas ou se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral, os pronomes não se alteram:
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Sempre enclíticas, as modalidades no, na, nos e nas colocam-se após formas verbais encerradas por som nasal: -am, -ão, -em, -õe ou -õem:
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II. Contrações e Combinações de Pronomes
Há muito estranhas, conquanto existentes, são as combinações e contrações entre os pronomes átonos me, te, lhe, nos, vos e lhes (com a função de objeto indireto) e os átonos e os demonstrativos o, a, os e as (no papel de objeto direto). Essas contrações são mais usadas em Portugal do que no Brasil. Atente no quadro a seguir:
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Obviamente, tais ocorrências somente são possíveis com verbo transitivo direto e indireto, quando se deseja substituir seus dois objetos por pronomes. Observe:
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Outros exemplos:

Repare que o pronome se nunca se associa, na mesma oração, aos pronomes o, a, os, as. Isso é uma imitação da construção francesa on le. Ele pode, porém (ainda que eventualmente na língua contemporânea), ligar-se a me, te, lhe(s), nos e vos, como em:
3. Preposição
Preposição é a palavra invariável que, posta entre dois termos, funda uma relação de subordinação (dependência) entre eles . O termo subordinante, também chamado antecedente ou regente, pode ser substantivo, adjetivo, advérbio, pronome, interjeição ou verbo. O termo subordinado (ou conseqüente ou regido) pode ter como núcleo um substantivo, adjetivo, verbo, pronome ou advérbio:

3.1. Classificação das Preposições

3.2. Locuções Prepositivas

3.3. Contrações e Combinações
Muitas vezes, as preposições a, de, em e per (forma antiga da preposição por) juntam-se a outros vocábulos e constituem uma única palavra: são as combinações e contrações. Ocorre contração quando há supressão de fonema; na combinação não há queda de fonema:




Na linguagem oral são comuns as contrações entre as preposições com e para, e os artigos definidos. Incluem-se também as contrações nele, nela, neles e nelas:

| 3.4. Semântica da Preposição |
Listam-se abaixo os principais valores semânticos estabelecidos por algumas preposições. Nem sempre a preposição apresenta significado. Às vezes, ela é vazia de sentido, funcionando como um mero elemento conector.

| 3.5. Homonímia e Paronímia da Preposição |
Listam-se abaixo alguns empregos de preposição confrontados com seus homônimos e parônimos.


4. Palavras "Que" e "Se"
Os termos QUE e SE apresentam uma gama imensa de possíveis classificações. Todas já foram estudadas nos módulos anteriores, mas para facilitar seu estudo, ei-las aqui organizadas.
4.1. As palavras que e quê
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4.2. As palavras se e sê
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