quinta-feira, 25 de junho de 2020

Capítulo 05 - Análise Sintática Interna (Frase, Oração e Período e Termos da Oração)

Capítulo 05. Período Simples
1. Frase, Oração e Período
• Frase
É todo enunciado constituído de uma palavra ou mais, com intenção comunicativa. Pode ser declarativa, imperativa, interrogativa, exclamativa, optativa ou imprecativa:
• Oração
É a frase ou parte da frase que se articula em torno de um verbo ou de uma locução verbal:

• Período
É a frase que contém uma oração (período simples) ou mais orações (período composto):
Observações
Sujeito e predicado são os termos fundamentais da oração, a qual na língua portuguesa geralmente é bimembre. Nesse tipo de oração, o predicado é o termo que encerra uma declaração referida ao sujeito:
 Nas orações unimembres (sem sujeito), o predicado obviamente contém toda a significação:
2. Sujeito
Chama-se sujeito o termo a que se refere o processo verbal do predicado. Na oração, o sujeito pode ser determinado (explícito ou implícito) ou indeterminado.

2.1. Sujeito determinado
I. Explícito (claro)
Quando expresso na oração, o sujeito pode apresentar um núcleo – sujeito simples – ou mais de um núcleo – sujeito composto:

II. Implícito
É o sujeito que se pode determinar ou pela desinência verbal (sujeito elíptico) ou pelo contexto (sujeito zeugmático). Foi abolida a denominação sujeito oculto, pois oculto significa que está escondido:



2.2. Sujeito Indeterminado
• Com verbo na 3ª pessoa do plural, desde que não haja referência ou contexto:


• Com VTI, VI e VL, e também VTD seguido de OD preposicionado na 3ª pessoa do singular acrescido da palavra se, chamada índice de indeterminação do sujeito:

2.3. Oração sem sujeito
Como já se estudou nos módulos 05 e 12, os verbos impessoais, que constituem as orações sem sujeito, flexionam-se apenas na 3ª pessoa do singular:

verbo ser (na indicação de datas, horas e distâncias) constitui exceção:

Os verbos auxiliares de verbos impessoais têm o mesmo comportamento do principal:
Observe o emprego de ter como haverexistir, muito freqüente na língua popular e até por escritores de renome, mas condenado pelos gramáticos.

2.4. Sujeito oracional
A função sintática de sujeito pode ser exercida por uma oração. Observe:
O que é necessário? “Que todos compareçam” é necessário.
 
Esse tipo de oração é chamado de oração subordinada substantiva subjetiva e será estudado com profundidade no módulo 19.


3. Termos Associados ao Nome
A palavra Nome designa genericamente o substantivo, o adjetivo e o advérbio.
Na oração, tais classes podem ser modificadas por: adjunto adnominal, complemento nominalapostopredicativo do sujeito, predicativo do objeto ou mesmo adjunto adverbial de intensidade (ou modo).

3.1. Adjunto adnominal

Conecta-se – com ou sem preposição – ao substantivo para delimitar-lhe o significado. Tal substantivo (concreto ou abstrato) pode estar exercendo qualquer função sintática.

adjunto adnominal (AADN) pode ser representado por adjetivo, locução adjetiva, artigo, pronome, numeral ou oração subordinada adjetiva:
Ao modificar o substantivo com ação implícita, o adjunto adnominal constitui o agente desse processo:


3.2. Complemento nominal
complemento nominal (CN) integra o sentido de outro termo sintático, determinando-lhe o núcleo constituído por substantivoadjetivo ou advérbio de base nominal, terminado em -mente ou um advérbio de lugar. Em


geral, é introduzido por preposição e tem valor passivo, isto é, recebe a ação implícita no nome modificado por ele. É o alvo da ação, ao contrário do sujeito, que é o executor da ação. Pode ser representado por um substantivo, pronome, numeral ou uma oração subordinada substantiva completiva nominal:


Atente no fato de que a ponte sofre a ação implícita no substantivo destruição.
Nos dois últimos exemplos, a destruição da ponte sofre a ação (de ser favorecida) inerente ao adjetivo favoráveis e ao advérbio favoravelmente.

3.3. Aposto
aposto (Ap) conecta-se, em geral, a substantivo, pronome ou equivalente, por meio de preposição ou não. O aposto serve para ampliar, desenvolver ou restringir o significado do termo que determina. Pode ser representado por uma oração denominada oração subordinada substantiva apositiva.

Classificação
D – Resumitivo (ou recapitulativo) - pronome indefinido

3.4. Predicativo do sujeito
É o termo que atribui ao sujeito uma característica, um estado, um modo de ser. No predicado nominal relaciona-se ao sujeito por meio de um verbo de ligação:



No predicado verbo-nominal, refere-se ao sujeito por meio de verbo transitivo ou intransitivo. Neste caso, o predicado pode ser desdobrado em dois: um verbal e outro, nominal:

3.5. Predicativo do objeto
É a característica, o estado ou o modo de ser do objeto, a ele atribuídos normalmente sob a interveniência do sujeito:
Embora sejam mais comuns os predicativos de objeto direto, há os que se referem ao objeto indireto, mais precisamente com o verbo chamar:


Observações
Complemento nominal e adjunto adnominal
 
Cuidado para não confundir o complemento nominal com o adjunto adnominal e o objeto indireto. Entre eles há semelhanças e diferenças importantes. Esquematicamente:




Predicativo do sujeito e morfologia

A função do predicativo do sujeito pode ser exercida por substantivo, adjetivo, expressão substantivada, locução adjetiva, pronome, numeral, advérbio
 ou oração (subordinada substantiva predicativa). Todas as classes gramaticais, exceto artigo, preposição, conjunção e interjeição, podem exercer a função sintática de predicativo:




Capítulo 05. Período Simples

Complemento nominal e morfologia

complemento nominal pode ser representado por substantivo, palavra substantivada, pronome, numeral ou oração denominada oração subordinada substantiva completiva nominal:





Predicativo do objeto e adjunto adnominal

Fique sempre atento aos termos que atribuem características ao núcleo do objeto. Dependendo da natureza da atribuição, podem ser classificados como predicativo ou adjunto adnominal. O primeiro caracteriza-se como uma atribuição normalmente mediada pelo sujeito; o segundo como uma característica em geral independente da ação subjetiva. Compare:




No primeiro caso, vermelho-sangue é um simples adjunto adnominal, já que representa uma

característica independente do ato de comprar. No outro caso, azul-escuro é a nova cor do automóvel, a ele atribuída por um processo (pintar) de que participa o
próprio sujeito.
Predicativo e ambigüidade

Em orações apartadas de contexto, pode haver ambigüidade, se o mecanismo dessa atribuição não ficar claro. Observe:



Além de predicativo do sujeito professor, desanimado pode ser analisado como adjunto adnominal: o aluno é consabidamente desanimado, ou seja, o desânimo é um estado que lhe é inerente e independente do julgamento do sujeito. Outro exemplo:



Nessa ocorrência, triste pode ser analisado como predicativo do objeto (atribuímos um estado que pode não ser peculiar a ela) ou como adjunto adnominal (encontramos a enfermeira cuja característica consabida é a tristeza).

Fique, pois, sempre atento aos mecanismos de atribuição de característica ao nome (sujeito e objeto), a fim de detectar possíveis ambigüidades nos textos alheios e nos seus próprios textos.




4. Transitividade dos Verbos
Quanto à predicação, os verbos classificam-se como significativos e não-significativos. Os primeiros denotam ações, fenômenos, movimentos, situações; os outros relacionam estados, qualidades, características, condições ao sujeito da oração.

4.1. Verbo significativo (nocional)
Os verbos significativos podem ser transitivos ou intransitivos.
I. Verbos intransitivos
São intransitivos os verbos que exprimem fenômenos (naturais ou acidentais) ou ações que não transitam do sujeito para outro termo da oração. Por si só já formam o predicado:



II. Verbos transitivos
São verbos cuja ação possui dois pólos: um agente (pólo do qual parte a ação) e um paciente (pólo para o qual transita a ação). Em geral, a ação transita do sujeito para outro termo no predicado, o complemento verbal (ou objeto):


• Verbo transitivo direto

É verbo transitivo direto (VTD) aquele cujo sentido é integralizado por um complemento não introduzido por preposição obrigatória (salvo em raras exceções, como o objeto direto preposicionado). O complemento diretamente ligado ao verbo chama-se objeto direto (OD):

verbo transitivo direto admite a voz passiva:
• Verbo transitivo indireto

Diferentemente do VTD, o verbo transitivo indireto (VTI) exige complemento obrigatoriamente preposicionado (OI) e não admite a voz passiva, apenas a voz ativa ou reflexiva, com exceção dos verbos obedecer, desobedecer, atender e responder.


• Verbo transitivo direto e indireto
É aquele que admite dois complementos: um objeto direto e um objeto indireto:

O VTDI admite a voz passiva:

4.2. Verbo de ligação (não-nocional)
São verbos não-nocionais ou praticamente despidos de significação. A função básica dos verbos de ligação é a de conectar ao sujeito um estado, uma característica – o predicativo do sujeito (PS):
Sem predicativo do sujeito não há verbo de ligação. Nesse caso, o verbo é intransitivo:


5. Termos do Verbo
Associados ao verbo podem aparecer os seguintes termosadjunto adverbialagente da voz passivaobjeto direto e objeto indireto.

5.1. Adjunto adverbial
É o termo que exprime alguma circunstância associada ao verbo. Também o adjetivo e o advérbio podem ser modificados por um adjunto adverbial (de intensidade normalmente).

A função de adjunto adverbial pode ser representada por advérbio, locução ou expressão adverbial ou oração subordinada adverbial:
Atenção!
Revisar estudo de Advérbio (Mód. 09).

5.2. Agente da voz passiva

É o complemento que, na voz passiva, designa o ente que pratica a ação sofrida ou recebida pelo sujeito (paciente). Corresponde ao sujeito (agente) da voz ativa.

Assim como o sujeito, o agente da voz passiva pode ser determinado ou indeterminado.

Normalmente introduzido pela preposição por (pelo, pela, pelos, pelas) e, às vezes, por de (do, da, dos, das), o agente da voz passiva pode ser expresso por substantivo, pronome, numeral ou oração subordinada substantiva agente da passiva:


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