quinta-feira, 25 de junho de 2020

Capítulo 04 - Outras Classes Gramaticais

Capítulo 04. Outras Classes Gramaticais



1.1. Conceitos fundamentais
Substantivo é uma classe gramatical que engloba todas as palavras que "nomeiam os seres". Na verdade, tudo quanto se pode nomear tem como nome um substantivo: os seres, as ações, os estados, as sensações, os sentimentos, os fenômenos etc. No texto que abre este módulo, predominam os substantivos, ou seja, os nomes de alguns (entre muitos) males de que o corpo padece, desde moléstias físicas (câncer, hepatite, lepra) ou psíquicas (esquizofrenia, hipocondria, cleptomania), até sentimentos perniciosos(rancor, ciúmes, hipocrisia, culpa). Ainda que pertencentes a universos semânticos
tão distintos, tais vocábulos contêm ao mesmo um ponto de contactos: são nomes. São, pois, substantivos.
Os substantivos podem ser classificados conforme:
a) a sua formação e estrutura;
b) a sua extensão significado.
No primeiro caso classificam-se como primitivos ou  derivados e simples ou  compostos. São primitivos os substantivos que dão origem a outro vocábulos: pulso, corpo, peste, ciúmes, asma, febre etc; em geral, são vocábulos a partir dos quais e formam outras:  pulseira, corpóreo, pestilento, ciumento, asmático, febril etc. São substantivos derivados os que se formam a partir de outros vocábulos, por meio de derivação: anemia, raquitismo, disritmia, afasia, culpa, estupidez etc.


Chamam-se simples os substantivos que têm um único radical em sua formação: pulso, peste, câncer, raiva, gripe, sarampo, sífilis, ciúmes, raiva, corpo, etc. Compostos são os substantivos que apresentam mais de um radical na sua estrutura mórfica: toxoplasmose, esquizofrenia, arteriosclerose, etc.

Quanto à extensão (ou abrangência), a tradição gramatical define o substantivo comum como o designativo de qualquer indivíduo pertencente a uma espécie de seres: menino, aluna, livro, mar, planeta, montanha, etc. São próprios os substantivos que nomeiam um indivíduo específico de uma espécie, principalmente pessoas, localidades, obras literárias, instituições financeiras, acidentes geográficos, planetas, programas de TV, filmes, novelas, remédios, empresas, animais domésticos e até simples informações: Alberto, Lorena, “D. Casmurro”, Cáspio, Netuno, Aconcágua, etc.

Quanto ao significado (ainda de acordo com a tradição), os substantivos podem ser concretos ou abstratos. São concretos os substantivos que “designam os seres e as coisas”, o que existe por si, seja no plano real, seja no domínio da imaginação: corpo, homem, professor, porta, Deus, fada, saci, mula-sem-cabeça, etc. Abstratos são os substantivos que nomeiam as emoções, os sentimentos, os estados, as ações, as qualidades, os eventos, ou seja, o que não existe por si mesmo: alegria, repulsa, escuridão, rancor, amor, ódio, estudo, abalo, queda, ascensão, etc. 

Existem também os substantivos coletivos, que designam conjuntos de seres pertencentes a uma mesma espécie: multidão, batalhão, alcatéia, enxame, arquipélago, pinacoteca, elenco, turma, clientela, etc.

1.2. Flexões
I. Gênero
Na língua portuguesa, os substantivos podem pertencer ao gênero masculino ou feminino. Os substantivos masculinos são os que, em geral, admitem o artigo definido o(s) e normalmente designam pessoas e outros animais do sexo masculino (Artur, menino, cachorro, cavalo, gato, galo), funções desempenhadas por homens (diretor, imperador, padre), os meses, os pontos cardeais, alguns acidentes geográficos (janeiro, fevereiro, norte, oeste, o Nilo, o Pacífico, o Titicaca, o Minuano, os Andes), as estações do ano (com exceção de primavera, que é feminina), etc.
Os substantivos femininos geralmente admitem o artigo definido a(s) e nomeiam seres humanos e outros animais do sexo feminino (Melissa, menina, cadela, égua, gata, galinha), funções exercidas por mulheres (diretora, imperatriz, freira), além de nomes em que estão subentendidas as palavras cidade e ilha (a promissora Taubaté, as Baleares) etc e dos dias da semana (com exceção de sábado e domingo, que são masculinos).

Você não pode confundir, porém, os conceitos de gênero e sexo. No caso de substantivos designativos dos seres humanos e de muitos outros animais, os termos masculino e feminino podem referir-se tanto à flexão gramatical de gênero, quanto à distinção fisiológica fundamentada no sexo. Gênero é classificação gramatical, enquanto sexo é questão biológica. É o que ocorre, por exemplo, com atriz (gênero e sexo femininos) ou embaixador (gênero e sexo masculinos). Entretanto, não procede o conceito de sexo para vocábulos como caderno (gênero masculino) ou caneta (gênero feminino). Ademais, mesmo em certos casos, gênero e sexo não são conceitos convergentes; é o que ocorre, por exemplo, com certos substantivos como: o cônjuge (substantivo do gênero masculino que designa pessoas de sexos diferentes: o marido e a esposa), a testemunha (substantivo de gênero feminino, designativo de ambos os sexos), a girafa (substantivo de gênero feminino, designativo de ambos os sexos) etc.

Grande parte dos substantivos apresenta duas formas diferentes para a indicação do gênero; são os substantivos biformesbode/cabra, pai/mãe, aluno/aluna etc. Há também os que têm uma única forma para os dois gêneros; são chamados uniformeso/a dentista, o jacaré, a criança etc.
a) Substantivos biformes cognatos (pato, pata; galo, galinha)

b) Substantivos biformes heterônimos (cavaleiro, amazona; cavalheiro, dama).

c) Substantivos uniformes comum-de-dois (o/a agente, dentista, colega, pianista).

d) Substantivos uniformes sobrecomuns (o algoz, o cônjuge, a vítima, a criança).

e) Substantivos uniformes epicenos (a águia macho, a águia fêmea).


Quanto ao gênero, alguns substantivos costumam causar dúvidas. Por isso merecem destaque.
Alguns substantivos podem ter significados diferentes dependendo do gênero.

II. Número
Regra Geral

Na língua portuguesa, a maioria dos substantivos pode assumir as duas formas de flexão numérica: o singular e o plural. Em geral, acrescenta-se -s ao substantivo terminado em vogal e ditongo (orais ou nasais) para a formação de plural:



Plural de compostos com hífen

a) elementos variáveissubstantivo, adjetivo, numeral; elementos invariáveisverbo, advérbio, prefixo e preposição: guardas-noturnos, bóias-frias, sempre-vivas, grão-duques, bate-bocas, vice-presidentes, ex-diretores etc. 

b) substantivos unidos por preposição: apenas o primeiro vai para o plural: pés-de-moleque, mulas-sem-cabeça etc.


c) palavras repetidas ou onomatopaicas: apenas a segunda vai para o plural: teco-tecos, plim-plins,
reco-recos
 etc. Se os elementos repetidos forem verbos, ambos podem ir para o plural: pisca-piscas ou piscas-piscas, corre-corres ou corres-corres etc.


d) flexiona-se o primeiro ou ambos os substantivo quando o segundo exprime finalidade ou semelhançaescolas-padrão ou escolas-padrões, peixes-boi ou peixes-bois etc.

e) invariáveisbota-fora, diz-que-diz etc.
(Revista da Web!)
Observe, nos substantivos empurrãozinho e Lolitão, a coexistência de sufixo aumentativo e diminutivo
(ão e inho, ita ão, respectivamente)



III.  Grau
Exprime-se o grau aumentativo e o diminutivo de um substantivo modificando-o por meio de adjetivo (forma analítica) ou acrescendo-lhe um sufixo (forma sintética):

As formas sintéticas nem sempre se relacionam a tamanho, podendo também conferir valores afetivos (carinho, desprezo, admiração, ironia): sujeitinho, gentalha, timeco, timaço, mulherão etc. 
A flexão de grau é mais evidente quando se faz uso da forma analítica.
Pode-se formar aumentativos e diminutivos mediante o emprego de prefixos: supermercado, hipermercado, megaevento, minidicionário, microempresário etc.
Alguns perderam a noção de aumento e redução de tamanho e adquiriram novos sentidos: cartão, portão, fogão, cartilha, folhinha (calendário) etc. Não se pode falar em aumentativo ou diminutivo, neste caso são palavras em sua acepção normal.
Pode-se obter o aumentativo pela repetição do substantivo, colocando entre ele a preposição de. É um processo muito usado na Bíblia: Rei dos reis, Senhor dos senhores, Mestre dos mestres.
2. Artigo

2.1. Conceitos fundamentais

artigo é uma classe de palavras que, antepostas imediatamente ou imediatamente ao substantivo, têm o papel de particularizar-lhe ou generalizar-lhe o sentido. Particularizantes são os artigos definidoso, a, os, as; generalizantes são os artigos indefinidosum, uma, uns, umas. Compare, por exemplo, o sentido das orações:

Contextualizadas, as sentenças veiculam mensagens bem distintas. Na primeira situação, alude-se a uma garota da qual o receptor parece ter alguma informação prévia, o que não ocorre no segundo caso, já que se faz uma referência genérica, nebulosa, indefinida.
numeral é uma classe de palavras que, relacionadas explícita ou implicitamente ao substantivo (ou pronome substantivo, ou palavra substantivada), servem para quantificá-lo (um, dois, três; dobro, duplo, triplo; meio, metade, um terço, três quartos) ou para ordená-lo (primeiro, segundo, terceiro). Variam em gênero e número, na linguagem informal e literária, admitem variação de grau (segundona, primeiríssimo, cinquentão).

2.2. Artigo definido e indefinido
Tanto os artigos definidos quanto os indefinidos podem ser empregados na sua forma simples (ou pura), ou contraídos ou combinados com preposição:

Observe que as combinações são apenas duas (ao e aos) e que as contrações à e às são conhecidas como crase. Note também que as formas contractas num, numa, nuns e numas existem a par das não-contraídas (em um, em uma, em uns, em umas) e que são pouco freqüentes as contrações da preposição de com os indefinidos, sobretudo os masculinos (dum, duns).

No português arcaico e literário havia ainda os artigos definidos lo, la, los, las e el que sobrevivem em poucas palavras: alfim (a + la + fim), São João del-Rei, São José del-Rei (hoje chamada Tiradentes), Sergipe del-Rei etc. E também as contrações pelo (per + lo), pela (per + la). Esse artigo lo ainda subsiste no espanhol.


pelos (per + los) e pelas (per + las), as quais substituíram as contrações arcaicas polo (por + lo), pola (por + la), polos (por + los) e polas (por + las).
As formas contractas não podem ser usadas antes de títulos (jornais, revistas, obras literárias etc.) que se iniciam com artigos:


O mesmo deve ocorrer em construções sintáticas em que a preposição precede artigo no papel de adjunto adnominal de sujeito do infinitivo:

Revista da Web!






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