quinta-feira, 25 de junho de 2020

Capítulo 04 - Outras Classes Gramaticais (3)

V. Mesmo, próprio
Os pronomes mesmo (mesma, mesmos, mesmas) e próprio (própria, próprios e próprias) ligam-se a substantivo (ou a pronome substantivo) e com ele concordam em gênero e número. Têm o sentido de idêntico, exato, de fato, em pessoa.
Não confunda com a conjunção subordinativa concessiva mesmo (embora, ainda que, apesar de, conquanto), com o advérbio de afirmação mesmo (realmente, de fato) ou com a palavra denotativa de inclusão mesmo (também, até, inclusive). Não confundir com o adjetivo próprio (que pertence, adequado).

V. Isto, isso, aquilo (e flexões)
Os pronomes demonstrativos isto(este, esta, estes, estas), isso (esse, essa, esses, essas) e aquilo (aquele, aquela, aqueles, aquelas) certamente estão entre os pronomes da língua portuguesa que apresentam maior diversidade de emprego, além da inquestionável importância na manutenção da coesão de um texto. Procederemos a uma abordagem morfossintática e semântica de acordo com alguns aspectos.
Quanto à posição

Em geral, os demonstrativos adjetivos antepõem-se ao substantivo:



Eventualmente vêm pospostos, sobretudo quando se quer ressaltar o que já foi dito:

 Quanto à localização
Como você já viu, os demonstrativos estabelecem uma relação entre as pessoas do discurso e a localização de algum ser ou objeto. Os pronomes de primeira pessoa, isto, este, esta, estes, estas, indicam proximidade relativa à pessoa que fala:


Note que tais demonstrativos tudo relacionam ao emissor das mensagens: são dele as rugas, estão com ele as flores, ele se encontra no local onde nasceu, são dele as mãos calejadas – o que, aliás, dispensa o uso de possessivos, desde que não haja referência a terceiros:



Os pronomes de segunda pessoa, isso, esse, essa, esses, essas, denotam proximidade relativa à pessoa com quem se fala:

Diferentemente, agora, os demonstrativos tudo relacionam ao receptor das sentenças: são dele as rugas, estão com ele as flores, ele se encontra no local onde nasceu o emissor, são dele as mãos calejadas. Do mesmo modo, descarta-se o uso (expletivo) do possessivo:






Os pronomes de terceira pessoa, aquilo, aquele, aquela, aqueles, aquelas, indicam algum afastamento relativo aos interlocutores:

Nesses casos, tudo o que se menciona encontra-se relativamente afastado do emissor e do receptor: não são deles as rugas, nem as mãos; não estão com eles as flores, nem se encontram eles no local em que nasceu o emissor da mensagem.
Quanto à temporalização

Os demonstrativos de primeira pessoa (isto e variações) indicam o tempo presente relativo ao emissor:



Os de segunda pessoa (isso e variações) indicam o tempo futuro ou passado próximo do emissor:



Os de terceira pessoa (aquilo e variações) denotam um distanciamento maior do emissor em relação ao tempo, vago ou remoto:




Quanto aos termos precedentes

Para aludir a termos precedentes, em geral emprega-se este (e variações) para retomar o que foi mencionado por último e aquele (e variações) para o referido em primeiro lugar:



Para chamar a atenção sobre o que se acabou de dizer emprega-se preferencialmente isso (e variações), embora também se use isto (e variações):

Pode retomar com ênfase um sujeito modificado por este ou esse, empregando como predicativo o pronome aquele:
 Quanto aos termos seguintes

Enquanto é preferível o uso de isso (e variações) para a referência ao que já foi mencionado, emprega-se isto (e variações) para aludir ao que ainda será dito (ou escrito). Compare:

Quanto ao emprego de palavras enfatizadoras
Pode-se reforçar o sentido de um demonstrativo quando se empregam advérbios (cá, aqui, aí, lá, acolá) ou outros demonstrativos (mesmo e próprio).
 Quanto aos valores afetivos
Muitas vezes, os pronomes demonstrativos conferem às sentenças significados com nuanças afetivas, como ironia, menosprezo, indignação etc., especialmente quando reforçados por alguma entoação especial ou por gestos:




7.5. Pronome relativo

Os pronomes relativos executam basicamente duas operações sintáticas: referem-se a termos antecedentes (explícitos ou não) numa oração principal e introduzem orações subordinadas adjetivas (restritivas ou explicativas). Alguns são variáveis em gênero e número, outros são invariáveis. Todos concordam com o antecedente, com exceção de cujo, que concorda com o consequente:


I. Que
É um pronome relativo universal, isto é, relaciona-se a coisas, pessoas ou processos, no singular ou no plural – daí o seu largo uso.

II. O qual (e flexões)
Referindo-se a pessoas ou coisas, concorda com elas em gênero e número, e deve ser usado preferencialmente por motivo de clareza e após certas preposições:

III. Quem
Relaciona-se a pessoas ou coisas personificadas, no singular ou no plural, por isso é chamado de relativo personativo. Sempre preposicionado.

IV. Cujo (e flexões)
Colocado entre dois substantivos – ou, eventualmente, entre pronome e substantivo –, cujo costuma estabelecer uma relação de posse entre eles, de modo que o antecedente seja o possuidor e o posterior, o possuído. Por isso é chamado de relativo possessivo:



V. Onde

Equivalente a em que ou a no qual (na qual, nos quais, nas quais), o pronome onde vem se transformando rapidamente num relativo universal, sobretudo na fala. Seu uso, no entanto, segundo o padrão culto, deve restringir-se à referência a lugares reais ou virtuais, por isso é chamado de relativo locativo. 
Sempre que o antecedente não puder ser claramente identificado como lugar, mas como situação, deve-se empregar em que ou no qual (e flexões) em vez de onde. Cometem-se, pois, infrações em sentenças como:

Elas devem ser assim reconstruídas:


VI. Como (relativo modal, sempre antes das palavras modo, maneira, forma e jeito)

VII. Quando

Sempre equivalente a em que, no qual e flexões. Seu antecedente deve indicar tempo, por isso é relativo temporal:


VIII. Quanto (e flexões)

Os pronomes quantoquantosquantas (repare que não há a forma feminina no singular "quanta", que é pronome interrogativo ou indefinido)
relacionam-se aos indefinidos tudotodostodas. Expressa ideia de quantidade indefinida, por isso é chamado de relativo quantitativo. Pode aparecer sem antecedente, uso muito encontrado em documentos jurídicos.



7.6. Pronome indefinido
Os pronomes indefinidos, com os quais os interrogativos mantêm estreita relação, referem-se de modo
impreciso ou genérico à terceira pessoa do discurso. Alguns são variáveis em gênero e número e outros são invariáveis.




7.7. Pronome interrogativo
Os pronomes interrogativos quequemqualquaisquantoquantaquantosquantas, são em essência pronomes indefinidos empregados em sentenças interrogativas (diretas e indiretas), e mesmo exclamativas. Não existem pronomes exclusivamente interrogativos:
Como pronome substantivo, o pronome interrogativo que usualmente é precedido de o, que é forma enfática:

Também é muito comum, na linguagem oral informal, a repetição do pronome, bem como o emprego da expressão expletiva (serque:

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