quarta-feira, 24 de junho de 2020

Capítulo 03 - Semântica

1. Conceitos Básicos
Anteriormente vimos que palavras como cabeça, cabeçada, cabeçal etc., formam uma "família" de vocábulos que têm em comum o lexema cabeç-, também denominado radical.
Tal "família" é constituída de palavras cognatas que possuem significados relativamente distintos em função dos diferentes morfemas acrescidos à palavra-geratriz:
Você viu também que, em alguns casos, na forma- ção das palavras-exemplo, os afixos parecem neutrali- zar-se mutuamente.Em descabeçado, o prefixo des- significa "privação, negação", ao passo que o sufixo -ado tem o sentido de "provido, cheio de". Já em cabeçudinhas, enquanto o sufixo -udo(a) acresce a idéia de "desproporção" (uma vez que cabeçuda é a pessoa que tem a cabeça desproporcionalmente grande), o sufixo -inho(a) é diminutivo.

Atente agora na palavra cabeça. Provavelmente, o primeiro sentido que lhe ocorre, considerando-a fora de qualquer contexto, é o de "parte superior do corpo humano." Com efeito, se levarmos em conta que você detém mais informações a respeito dela – já que você estuda, em Biologia, outros seres não-humanos –, poderemos supor que, de modo extenso, para você cabeça signifique a extremidade anterior (ou superior, nos bípedes) do corpo dos artiozoários, a qual contém os principais órgãos dos sentidos".
A esse sentido primeiro que a palavra descontextualizada remete dá-se o nome de sentido denotativo. O plano da denotação é, pois, o do elemento invariável, primitivo, não-subjetivo e unívoco de significação de um vocábulo.
É interessante notar que tal sentido "original" de cabeça não é divergente do que tinha há oito séculos, desde o seu primeiro registro na língua portuguesa. Ou mesmo antes, no galaico-português. Todavia, a par desse sentido preciso e que de imediato nos acode e nos leva ao seu uso mais freqüente, a palavra cabeça adquiriu uma vasta gama de significados subsidiários, mais ou menos distintos da sua acepção etimológica, isto é, do seu sentido original. Alguns são muito usuais:



Observe que, em cada um dos contextos, a palavra cabeça assume significados às vezes radicalmente distintos do "original":
A tais valores significativos que se agregam ao vocábulo cabeça, para além da acepção primeira, dá-se o nome de conotativos. O plano de conotação refere-se, portanto, à propriedade de um termo assumir novos significados segundo a situação ou o contexto.
No caso dos exemplos citados, à idéia original de extremidade, de parte anterior ou superior, de porção principal ou central de um corpo material, o vocábulo cabeça assumiu novos traços relacionados ao plano imaterial de pensamento, de intelecto e de imaginação.
Essa vasta vegetação de distintas significações tem o nome de polissemia, fenômeno que constitui a essência mesma de uma disciplina lingüística – a Semântica.

O conceito de polissemia opõe-se ao de homonímia. Chamam-se homônimas perfeitas duas ou mais palavras coincidentes no plano do significante e distin-tas no plano do significado. Tal é o caso, por exemplo, do vocábulo pena:
Nas duas primeiras ocorrências, o vocábulo pena tem o mesmo étimo, a mesma origem latina em penna, pennae (pinna, pinnae) com o sentido de pluma. Nas outras duas, proveio do latim poena, poenae, com as acepções de castigopuniçãosofrimento. Assim, se no caso dos exemplos em que cabeça tem a mesma origem em todo campo polissêmico, nos que ocorre o vocábulo pena há distintas origens. O que nos leva a concluir sobre a importância decisiva dos estudos etimológicos nessa oposição polissemia–homonímia.
2. Denotação e Conotação
denotação tem sido considerada o plano do significado primeiro agregado a um vocábulo. Conceito oriundo da lógica, a denotação de uma unidade léxica é constituída pela extensão do conceito que contém o significado que primeiro ocorre ao usuário da língua.
Assim, o signo cabeça é constituído de uma parte material – o significante /kabesa/ – associado de imediato ao conceito – o significado – "extremidade anterior ou superior de certos seres".
conotação, diferentemente, é o conjunto de significados particulares de uma palavra (ou mesmo de um enunciado) que acaba por se agregar ao sentido ordinário de acordo com a situação ou o contexto. Situa-se na área da Estilística, já que se distingue da denotação por não corresponder à significação no sentido estrito e por funcionar como manifestação subjetiva, não-unívoca, para além da esfera bio-social.
Com efeito, num texto científico,didático ou jornalístico há uma tendência intrínseca da predominância da função referencial da linguagem e, portanto, da predominância do plano denotativo, que reduz as palavras ao seu significado "neutro" e socialmente introjetado. De modo distinto, num texto literário ou mesmo publicitário, a busca da expressividade muitas vezes eletrocuta o senso comum e agrega novas possibilidades semânticas aos vocábulos, construtoras dos novos horizontes da conotação.

3. Semântica, Estilística e Retórica

Semântica é o estudo científico do significado das unidades lingüísticas. Pode ser diacrônica (histórica) ou sincrônica (descritiva). A primeira estuda as mudanças de significação que, no decorrer do tempo, as palavras e outras unidades lingüísticas sofrem. A segunda estuda a significação das palavras de uma língua no seu estado atual. Para isso, leva em conta a polissemia, os campos semânticos, a homonímia, a sinonímia, a expressividade, a relação entre denotação e conotação, a relação entre língua e cultura na constituição de uma visão de mundo, a significação figurada etc.

Estilística é o estudo da expressividade da linguagem, ou seja, da sua capacidade de sugestionar e de emocionar, por meio de processos fônicos, lexicais e morfológicos, construções sintáticas e associações significativas. Faz parte da Estilística, por exemplo, o estudo das figuras de linguagem.

Retórica foi, a princípio, o estudo greco-latino da linguagem e que tinha como foco preferencial a oratória e a eloqüência. Decorrente dele, a depreensão das figuras foi a maior contribuição da Retórica para as ciências da linguagem. Limitando-se atualmente com a Semântica e a Estilística, chama-se Retórica ao estudo das propriedades do discurso, em especial, a invenção (os temas e os argumentos), a disposição (o arranjo das partes) e a elocução (a escolha e a disposição das palavras), esta última fundada no estudo das figuras (ou tropos).


4. Propriedades Instersígnicas
Dois ou mais vocábulos podem apresentar entre si alguma forma de identidade, que se realiza em diversos planos da língua:
• identidade gráfica: homógrafos

• identidade fônica: homófonos
• identidade fônica e gráfica: homônimos perfeitos

• identidade semântica: sinônimos
Podem ainda manter uma relação de oposição semântica (antônimos) ou de semelhança física, gráfica e fônica (parônimos).
Vejamos mais detidamente cada uma dessas propriedades.

4.1. Sinonímia

sinonímia tem sido definida como uma identidade semântica (total ou quase total) entre dois ou mais termos, de modo que um tem a propriedade de poder ser empregado pelo outro sem, todavia, implicar o prejuízo daquilo que se intenta comunicar.
Ainda que etimológica e historicamente (desde os gregos) tenha sido freqüentemente associada a um conjunto de nomes (gr.syn + gr.ónyma), a sinonímia ocorre em todos os planos das formas lingüísticas.
• Entre formas mínimas ou morfemas, radicais e afixos:

• Entre palavras de classes variáveis e invariáveis:


• Entre locuções:


• Frases:


As gramáticas tradicionais ainda têm relegado o fenômeno da sinonímia apenas à situação em que ela ocorre entre palavras de classes variáveis. Às demais situações chamam de correspondênciaequivalência e paralelismo (aos quais tornaremos mais adiante).
É consensual que a sinonímia perfeita ou total é ocorrência bastante rara. De modo geral, ocorre mesmo é uma gradação desde uma significação mais ampla até uma significação mais restrita, e desde uma significação mais simples até uma significação mais complexa. Ou pode ocorrer uma escolha fundada no efeito estético do termo: delicado ou indelicado, raro (nobre) ou comum (vulgar); visual ou poético; poético ou científico; usual ou científico etc.


I. Quanto à Significação

 Gradação da significação mais ampla ou mais restrita:

 Gradação da significação mais simples ou mais complexa:


II. Quanto ao Efeito Estético

 delicado e indelicado:
 raro (nobre) e comum (vulgar):

 poético e usual:


 poético e científico:


 usual e científico:

Observe que os exemplos do item I tendem a inserir-se no âmbito da denotação e os do item II, no âmbito da conotação, plenos de optação estilística. De tudo isso decorre, por parte do usuário da língua, a escolha de um entre outros (ou vários) sinônimos, de acordo com a maior eficácia comunicativa ou expressiva, sempre dependente sobretudo do contexto em que se articula ou se registra a palavra.
Assim é que o sinônimo de:

De modo geral, também, dois processos atuam na verificação-escolha-uso de tais ou quais palavras segundo o valor sinonímico e as distinções denotativas ou conotativas: a) substituição de uma unidade lingüística por outra (ou outras) num contexto específico; e b) determinação da unidade semântica oposta (o antônimo) comum ou distinta de cada uma delas.
 Substituição de acordo com o contexto:

Verbo


 Determinação do antônimo:


Um vocábulo pode, também, ter sentido genérico quando serve para designar uma classe natural de ob-
jetos e em que cada um destes, tomados isoladamente, recebe um nome particular. Desse modo, a palavra réptil é o genérico de um conjunto cujos elementos são o jacaréo crocodiloa tartaruga, o cágadoa víbora, a cascavel etc.
Na língua portuguesa, os artigos definidos (o, a, os, as) podem conferir ao termo nominal (de que participam ao determinar um nome) tal valor genérico. Assim, o jacaré pode ser tomado como um genérico, por sua vez, de um conjunto cujos elementos são jacarés específicos. Já os artigos indefinidos (umumauns,umas) conferem ao termo um jacaré valor oposto ao de genérico.

4.2. Antonímia

Antonímia é a propriedade de duas unidades lingüísticas terem significados inversos, às quais dá-se o nome de antônimas. Como nem tudo é preto ou branco na Língua Portuguesa, são antônimos os vocábulos preto (ausência de todas as cores) e branco (união de todas as cores). Não existem antônimos de cores, e sinônimos relativos a elas são pouco frequentes.
antonímia pode realizar-se na oposição:
 entre dois vocábulos com morfemas lexicais distintos:

 entre dois vocábulos com mesmo morfema lexical e num dos quais se agrega prefixo negativo:


 entre dois vocábulos com mesmo morfema lexical, aos quais se agregam prefixos de significação contrária:

Deve-se ressaltar que uma sentença negativa com certo vocábulo nem sempre equivale semanticamente a uma frase afirmativa com o antônimo desse vocábulo. Desse modo, as orações A doença não regride e A doença progride não se equivalem semanticamente.
Esse efeito de quase-equivalência constitui o fundamento da atenuação (ou litotes ou litote) que você verá mais adiante:

4.3. Homonímia
Denomina-se homonímia a propriedade de dois ou mais vocábulos apresentarem alguma identidade, seja no nível fonológico, seja no nível gráfico, seja nos dois.
Os vocábulos homônimos podem ser classificados, segundo o grau dessa identidade, como:
 homógrafos heterófonos, que apresentam idêntica grafia (idêntica seqüência de grafemas ou letras), mas com distintas fonias:
• homófonos heterógrafos, que, ao contrário, têm idêntica fonia (idêntica seqüência de fonemas), mas grafias diferentes:
 homônimos perfeitos, que apresentam identidade tanto no nível gráfico quanto no nível fônico, mas são semanticamente distintos:

4.4. Paronímia

Paronímia é o nome que se dá à semelhança da estrutura física (fonemas e grafemas) entre dois vocábulos ou duas seqüências de vocábulos semanticamente distintos, ditos parônimos.
paronímia pode ocorrer:
 entre vocábulos com radicais distintos:

• entre vocábulos com mesma matriz léxica, mas com prefixos semântico-fonologicamente diferentes:
• entre vocábulos com mesmo radical e sem prefixo:

Alguns substantivos notáveis





4.5. Alguns Homônimos e Parônimos




















4.6. Homônimos e Parônimos Notáveis


5. Verbo


Você já estudou detidamente o verbo sob o ponto de vista morfológico, suas principais características relacionadas às flexões de número, pessoa, tempo e modo, bem como as peculiaridades dos verbos irregulares, anômalos, defectivos e abundantes.

Agora, depois de ter-se aprofundado em Sintaxe e Semântica, você tem os pressupostos para relacionar a morfossintaxe do verbo às particularidades semânticas dos tempos modos verbais. Mais adiante, estudaremos também o emprego das formas nominais.




O conhecimento dessa inter-relação dos modos verbais e estruturas sintáticas, além do domínio das possibilidades semântico-sintáticas da correlação temporal, são imprescindíveis para a construção de textos claros, precisos e, sobretudo, coesos e coerentes.

Dá-se o nome de correlação verbal à articulação temporal entre duas formas verbais. Assim, ao construirmos um período, os verbos que ele possa apresentar estabelecem, entre si, uma relação, uma correspondência, ajustando-se, convenientemente, um ao outro.





5.1. Modo Indicativo

O Indicativo é o modo por meio do qual normalmente os processos verbais se apresentam como positivosreaiscertos – no presente, no passado ou no futuro. Tende a ocorrer em orações absolutas, principais e coordenadas. Constitui-se de tempos simples e compostos.


I. Presente



Emprega-se o presente do indicativo:
• para enunciar processo que se desenvolve no momento quando se fala (presente momentâneo):

• para exprimir processos habituais, mesmo que não se esteja realizando no momento da enunciação (presente frequentativo ou habitual):

• para exprimir verdade científicadogma religioso, artigo de lei – um processo de cuja permanência em geral não se duvida (presente durativo):

• para conferir vitalidade a fatos ocorridos no passado (também chamado de presente histórico ou narrativo); substitui o pretérito:
É nessa época, a dos primeiros vinte anos do Segundo Reinado (1840-1889), que vive Casimiro de Abreu. É um tempo de extrema efervescência cultural, em que a imprensa se expande, o teatro nacional se afirmasão incentivadas as pesquisas (...)

Nesse ano, os ingleses derrotam Napoleão em Waterloo.

• para determinar processo futuro, mas próximo: substitui, assim, o futuro do presente:

• para conferir atualidade e certeza a um processo por acontecer; nesse caso, substitui o futuro do presente de orações principais modificadas por adverbiais:

• para atenuar a expressão imperativa; nesse caso, substitui tanto o imperativo quanto o futuro do presente:

• como substituto do futuro do subjuntivo:


II. Pretérito Perfeito Simples


As formas simples do pretérito perfeito exprimem um processo realizado num momento anterior à enunciação, tomada como referência de presente:



Observe que se trata de ações já concluídas, isto é, que já se perfizeram. Repare que o particípio de perfazer é perfeito (fazer, feito; refazer, refeito) – daí o nome: pretérito perfeito.



Pode-se ainda exprimir, com o pretérito perfeito, um processo freqüente, repetido ou contínuo, desde que reforçado por advérbios e locuções como cotidianamente, muitas vezes, sempre, todos os dias etc.:





Tem sido freqüente, sobretudo na linguagem oral, o uso das formas simples do perfeito em substituição ao futuro do presente composto:
Até chegarmos lá, ela já saiu. (= terá saído)



III. Pretérito Perfeito Composto


Em geral, as formas compostas do pretérito per-feito denotam um processo que se repete ou continua a se realizar até o momento da enunciação:
Temos feito bons negócios.
Há falhas, mas temos tentado diminuir-lhes o número.

Note que, enquanto a forma simples do perfeito denota certo afastamento em relação ao presente, a forma composta exprime processo cujo desenvolvi-mento se prolonga até o presente, do qual, portan-to, se aproxima.
3. Steve Breen

IV. Pretérito Imperfeito



O adjetivo imperfeito, que caracteriza esse pretérito, provém do particípio de perfazerperfeito, mas com o prefixo de negação. Significa aquilo que não se perfez, que não foi perfeito, que não se concluiu. O pretérito imperfeito denota, portanto, processos anteriores ao tempo da enunciação, mas que não têm um término definido; daí a idéia de prolongamento, de continuidade, de duração maior que a dos outros pretéritos. É usado para:

• indicar processos que, no passado, eram freqüenteshabituais (imperfeito frequentativo):




• exprimir um fato que se realizava quando sobreveio outro:

• descrever ou narrar processos passados, mas que são presentes do ponto de vista de uma personagem ou de um narrador:

• para substituir o futuro do pretérito:

• para atenuar polidamente um pedido, uma intenção, uma afirmação; nessa ocorrência, substitui o presente do indicativo (imperfeito de cortesia):

• para situar, de modo impreciso, os fatos em narrativas populares, anedotas, historietas, contos, lendas, fábulas:

V. Pretérito Mais-que-perfeito Simples
Restritas ao contexto jurídico, bíblico e científico no português contemporâneo,  as formas simples do mais-que-perfeito têm sido gradativamente substituídas por compostas:



Emprega-se basicamente para:
• indicar um processo anterior a outro já passado:

• exprimir processos vagamente situados no passado:

• substituir o futuro do pretérito:

• substituir o pretérito imperfeito do subjuntivo:

• exprimir vontade, desejo, em sentenças optativas:




VI. Pretérito Mais-que-perfeito Composto (vide formas simples)


VII. Futuro do Presente Simples



Emprega-se o futuro do presente simples:
• para exprimir processo posterior ao ato da enunciação:

• para denotar incertezasuposiçãoprobabili-dade a respeito de processos que se desenrolam no presente:


• para denotar ordem, desejo, súplica – caso em que substitui o imperativo:

• para indicar possibilidade de ação futura, caso em que se relaciona ao futuro do subjuntivo:

• para exprimir fato posterior a outro no passado:

Sobretudo na linguagem oral, as formas simples são substituídas por locuções com os auxiliares irhaver e ter seguidos de infinitivo. São mais comuns na linguagem religiosa e literária:





VIII. Futuro do Presente Composto



Empregam-se as formas compostas do futuro do presente:
• para exprimir um processo futuro concluído antes de outro:

• para denotar certeza em relação a fato futuro:

• para denotar incerteza acerca de fato passado:

IX. Futuro do Pretérito Simples


As formas simples do futuro do pretérito podem ser utilizadas:
• para remeter a ações prováveis e posteriores ao momento referido:


• para exprimir incerteza, probabilidade, suposição:

• para, como forma polida de presente, exprimir vontade, em substituição ao imperativo:

• em frases interrogativas e exclamativas, para exprimir espanto, surpresa, indignação:

• para exprimir possibilidade de ação futura não realizada; nesse caso, relaciona-se com o pretérito imperfeito do modo subjuntivo:



X. Futuro do Pretérito Composto

Empregam-se as formas compostas do futuro do pretérito:
• para designar ação futura condicionada:

(Note que as formas compostas referem-se a processos supostos ou desejados – mas já de realização impossível. Nesse caso, relacionam-se ao pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo.)
• para denotar possibilidade de processos passados:

• para, em sentenças interrogativas, exprimir incerteza sobre fatos passados:


5.2. Modo Subjuntivo

É o modo por meio do qual os processos verbais se apresentam geralmente como incertos, duvidosos, eventuais, hipotéticos, irreais. Emprega-se basicamente em orações subordinadas:


Em orações absolutasprincipais coordenadas, o subjuntivo exprime desejoordemhipótesedúvidaproibiçãoindignação:



Emprega-se o subjuntivo em orações substantivas cujas principais denotem vontadeordemjulgamentodúvida:

subjuntivo é usado em orações adjetivas que encerram finalidadeconseqüênciafato improvávelsuposição:


Quanto às subordinadas adverbiais, o emprego do subjuntivo depende do uso de certas conjunções e locuções. Observe:





I. Presente

Emprega-se o presente do subjuntivo:
• para exprimir processos que se realizam no momento da enunciação, fato atual exprimindo uma possibilidade:
É muito bom que você pense assim.
Não digo que elas sejam mal-educadas.

• para exprimir fato futuro:
É provável que venham amanhã.
Ordenarei que venham amanhã.
Ordeno que venham amanhã.

Note que o presente do subjuntivo relaciona-se, em geral, ao presente do indicativo, ao futuro do presente e ao imperativo.
II. Pretérito Imperfeito


pretérito imperfeito apresenta limites imprecisos, podendo relacionar-se ao futuro do pretéritopretérito perfeito do indicativo ou pretérito imperfeito do modo indicativo. Sempre indica um fato passado dependente de outro:

Emprega-se em:
• orações imprecativas e optativas:

• orações substantivas:

• orações adjetivas:

• orações adverbiais (sobretudo condicionais, causais, temporais, concessivas, finais, conformativas, consecutivas e comparativas iniciadas pela hipotética como se)

• orações que encerram suposição:

• orações que encerram uma condição ou meio para a consecução de determinado fim:




III. Pretérito Perfeito Composto

pretérito perfeito do subjuntivo existe apenas na forma composta e exprime:
• fato supostamente concluído:

• fato realmente concluído:

• processo futuro já concluído em relação a outro:


IV. Pretérito Mais-que-perfeito Composto


Sempre na forma composta, o pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo relaciona-se basicamente com o pretérito perfeito, o pretérito imperfeito e o futuro do pretérito (simples ou composto). Emprega-se para:

• exprimir fato passado anterior a outro já passado:

• exprimir fatos possíveis ou irreais no passado:



V. Futuro Simples
As formas simples de futuro do subjuntivo exprimem a eventualidade de fatos futuros vindouros relacionados a outros:


Note que este tempo ocorre em subordinadas conectadas a principais cujo verbo está no presente do indicativo ou no futuro do presente do indicativo. Essas subordinadas podem ser:
• adverbiais condicionais, modais, proporcionais, temporais:

• adjetivas:


VI. Futuro Composto


Exprime processo futuro concluído antes de outro também futuro:


5.3. Imperativo

Empregado apenas em orações absolutas, principais e coordenadas, o modo imperativo (afirmativo e negativo) pode exprimir ordemconselhoconvitepedidosúplicacondição:




Observe que tais valores dependem do sentido do verbo, do contexto e, muitas vezes, da entoação (tom de voz). Além disso, o imperativo pode ser substituído por frases nominais, interjeições e certos tempos do indicativo e subjuntivo:



A intenção imperativa, que pode ser autoritária ou grosseira, dependendo da situação,  pode ser atenuada ou reforçada por diversos meios. A atenuação ocorre com o uso de fórmulas de polidez (acompanhadas de um tom de voz particular) como por favorpor gentileza, tenha a bondade de etc.:



O reforço do propósito imperativo é obtido pelo tom de voz, repetição, uso de advérbio e expressões de insistência, bem como por meio do emprego da terceira pessoa do presente do subjuntivo:




As três formas nominais do verbo – gerúndio, particípio e infinitivo – caracterizam-se pelo seu valor modal e temporal dependente do contexto em que ocorrem. O gerúndio, invariável, possui formas simples e compostas. O particípio, que se flexiona em gênero e número como se fosse um adjetivo, mas não em pessoa, tem apenas formas simples. O infinitivo, variável em número e pessoa, tem formas simples e compostas (o infinitivo impessoal, obviamente, é invariável). Observe o quadro.

5.4. Gerúndio
Apresenta o processo verbal em andamento, incompleto, prolongado e normalmente tem valor adjetivo ou adverbial:

gerúndio ocorre nas locuções verbais e nas orações reduzidas:

Exprimindo processo já concluído, a forma composta do gerúndio tem valor de pretérito perfeito:

Conforme o verbo auxiliar que se lhe anteponha, denota diferentes aspectos da ação verbal:

]gerúndio ocorre em orações reduzidas adjetivas e adverbiais:

5.5. Particípio
Variável em gênero e número, apresenta o resul-tado de um processo verbal concluído no pretérito, presente ou futuro:

Com os auxiliares ter e haver forma os tempos compostos ativos que estudamos no módulo anterior:

Forma locuções verbais passivas com os verbos auxiliares ser, estar e ficar:

Quando sem auxiliar, participa de orações reduzidas (adjetivas ou adverbiais):


5.6. Infinitivo
infinitivo apresenta o processo potencial do verbo, a idéia intemporal da ação em si. Pode ser flexionado (pessoal) ou não-flexionado (impessoal). Fundamentalmente, o primeiro evidencia o agente do processo e o segundo enfatiza o processo em si mesmo. Seu uso é mais estilístico que gramatical.


I. Infinitivo Impessoal
infinitivo não-flexionado é empregado quando:
• não se alude a qualquer sujeito determinado:



• tem valor imperativo:




• em locuções verbais, porque apenas o verbo auxiliar varia:

• complemento nominal de adjetivo, com preposição de (oração subordinada substantiva completiva nominal):



• tem valor de gerúndio; nesse caso, os verbos auxiliares (estar, ficar, viver etc.) regem a preposição a:



• com verbos causativos (deixar, mandar, fazer) e sensitivos (ver, sentir, ouvir, perceber) desde que o sujeito seja pronome átono:




II. Infinitivo Pessoal
Flexiona-se o infinitivo em número e pessoa quan-do:
• o sujeito é expresso:

• o sujeito está oculto, eliptico:

• o sujeito é indeterminado:

• é substantivado:

• com verbos causativos (deixar, mandar, fazer) e sensitivos (ver, ouvir, sentir) desde que o sujeito seja substantivo ou equivalente:

• precedido do verbo parecer; nesse caso, admitem-se duas construções:

infinitivo pessoal e o impessoal ocorrem em subordinadas substantivas, adjetivas e adverbiais reduzidas. (Aliás as substantivas só se reduzem com verbo no infinitivo, enquanto as adjetivas e adverbiais podem ser reduzidas nas três formas nominais):





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