quinta-feira, 25 de junho de 2020

Capítulo 04 - Outras Classes Gramaticais (1)

3. Numeral



Capítulo 04. Outras Classes Gramaticais
Dante, O Estado do Paraná


3.1. Numeral cardinal
Os numerais cardinais designam a quantidade em si mesma (numerais substantivos) ou a quantidade relacionada a substantivos (numerais adjetivos):


Flexionam-se em gênero os cardinais um, dois, ambos e as centenas a partir de duzentosuma, duas, ambas, duzentas, trezentas, oitocentas etc.


Os cardinais milhão, bilhão (ou bilião), trilhão etc. flexionam-se em número: milhões, bilhões (ou biliões), trilhões etc. Os outros numerais cardinais são invariáveis.

Os numerais quatorze, dezesseis, dezessete e dezenove apresentam as formas variantes catorze, dezasseis, dezassete e dezanove, as três últimas empregadas normalmente em Portugal. São desnecessárias ou condenadas as formas: douze, cincoenta, hum, treis, deiz e seicentos, admitidas apenas no preenchimento de cheques. Cincoenta surgiu por influência de cinco.
Em princípio, os cardinais designam quantidade precisa, mas freqüentemente são empregados em hipérboles, exprimindo indeterminação exagerada:
Intercala-se a conjunção e nas centenas, dezenas e unidades; mas deve ser omitida entre as seqüências de três algarismos, isto é, não deve ser empregada no intervalo que coincide com o ponto de separação, exceto se esta começar por zero ou terminar com dois zeros:

3.2. Numeral ordinal
O numeral ordinal designa a ordem de sucessão ocupada numa série pelos objetos, seres etc. Podem ser substantivos ou adjetivos. Os ordinais são frequentemente usados até o décimo, sendo substituídos por cardinais. A partir do décimo primeiro, são mais usados na matemática, na área administrativa e financeira, na economia e na estatística:
Os ordinais variam normalmente em gênero e número: primeiro, primeira, primeiros, primeiras; centésimo, centésima, centésimos, centésimas etc. São também muito freqüentes as derivações sufixais (aumentativas, diminutivas e superlativas) de alguns ordinais na linguagem coloquial. A literatura já registra esses usos:


Cognato de primeiro(a), o latinismo primo(a) é empregado em alguns casos: obra-prima, matéria-prima, números primos, meu primo, minhas primas, de prima (de primeira) etc.
Por derivação imprópria, alguns ordinais, convertidos em adjetivos, não denotam ordem, senão qualidade (superior ou inferior):


Os ordinais até décimo devem ser usados na designação de séculos, papas, soberanos, partes de obras, eventos, fatos históricos etc., quando pospostos ao substantivo. A partir de onze, empregam-se os cardinais:
Uma pequena diferença ocorre na numeração de artigos de portarias, decretos, leis: usam-se os ordinais até o nono; de dez em diante, empregam-se os cardinais:
Anteposto ao substantivo, deve-se usar o numeral ordinal:


4. Adjetivo

4.1. Conceitos fundamentais
Adjetivo é a classe variável em gêneronúmero e grau que, modificando substantivo ou pronome substantivo, atribui-lhes característica, aspecto, estado, modo de ser, origem:

Quanto ao significado, os adjetivos podem ser classificados basicamente como explicativos e restritivos. Adjetivo explicativo é o que exprime característica essencial, inerente ao substantivo a que se refere (fogo quente). Adjetivo restritivo é o que particulariza o significado do substantivo, ou seja, expressa uma qualidade acidental (fogo verde).

Quanto à formação, os adjetivos podem ser simples ou compostos, primitivos ou derivados:

simples é o adjetivo formado por um só radical: feliz, chinês, amarela;

composto é o adjetivo formado por mais de um radical: belo-horizontino, luso-brasileiro, soteropolitano, amarelo-claro;



Capítulo 04. Outras Classes Gramaticais

primitivo é o adjetivo que não deriva de verbo ou substantivo: triste, pequeno, leve;

derivado é o adjetivo que provém de verbo ou substantivo: paulistano, neoliberal.
Note que se pode substituir de verdade por verdadeiro(a).

4.2. Locução adjetiva e adjetivo erudito

Chama-se locução adjetiva o agrupamento de duas ou mais palavras que, ao modificar substantivo ou pronome substantivo, exerce o papel próprio de adjetivo. Em geral, a locução adjetiva resulta do encontro de preposição e substantivo (como em teor de açúcar, expressão de macaco), ou preposição e advérbio (como em cardápio de hoje, pneus de trás).

À locução adjetiva pode corresponder ou não um adjetivo. Às locuções adjetivas de verdade, de açúcar, de macaco, de hoje e de trás, por exemplo, correspondem, respectivamente, os adjetivos verdadeiro, sacarino, simiesco, hodierno e traseiro. Entretanto, não há adjetivos que substituam as locuções adjetivas em:
profissional sem futuro, piada sem graça, jovens sem perspectivas, por exemplo.

Muitas locuções adjetivas equivalem a adjetivos eruditos, que significam “relativo a”, “próprio de”, “da cor de”, “semelhante a”. Esses são muito comuns na linguagem literária, técnica e científica.

4.3. Adjetivo pátrio (ou gentílico)

Constituem uma categoria especial os adjetivos pátrios ou gentílicos, que indicam origem relacionada a continentes, países, regiões, estados, cidades etc., e no segundo, apenas a raças e povos: carioca, fluminense, nordestino, brasileiro, sul-americano etc.

4.4.. Flexões
Gênero

Quanto aos gêneros masculino e feminino, o adjetivo pode ser uniforme ou biforme. O adjetivo uniforme é o que apresenta uma única forma para os dois gêneros: produção agrícola/investimento agrícola, mercado persa/ tapeçaria persa, gesto suave/paisagem suave, o pior aluno/a pior aluna, programa ruim/filme ruim etc.

O adjetivo biforme é o que apresenta uma forma diferente para cada gênero: belo/bela, nu/nua, gaulês/gaulesa, são/sã, hebreu/hebréia, judeu/judia, ilhéu/ilhoa, tabaréu/tabaroa etc.

Nos adjetivos compostos formados por dois adjetivos, somente o segundo elemento é variável:

Porém, são invariáveis os adjetivos compostos cujo segundo elemento é substantivo, por derivação imprópria:





São exceções:
azul-marinho e azul-celeste: invariáveis 
zero-quilômetro e furta-cor (brilhante): idem
ultravioleta (infravermelho é variável)
ternos azul-marinho
vestidos azul-celeste 
carros zero-quilômetro
colares furta-cor
raios ultravioleta (mas raios infravermelhos)
surdo-mudo: flexão nos dois elementos
meninos surdos-mudos
meninas surdas-mudas
II. Número
O plural dos adjetivos simples obedece basicamente às mesmas regras da pluralização dos substantivos.

III. Grau
A variação do adjetivo tem sido objeto de inúmeras divergências entre os gramáticos. Isso ocorre em virtude de, na língua portuguesa, o adjetivo não se flexionar por acréscimo de desinência especial, salvo em raras situações (alguns adjetivos no grau comparativo, e o grau superlativo absoluto sintético). Diferentemente do que acontece no inglês, alemão, grego ou latim, em que o adjetivo sofre, de fato, alteração desinencial de acordo com o grau que expressa, o adjetivo em português geralmente permanece invariável e a gradação é feita mediante acréscimo de outras palavras, advérbios por exemplo.

Ademais, a divergência ocorre até quanto ao número de gradações. Há os que apontam a existência de apenas duas gradações (comparativo e superlativo), três (comparativo, superlativo e positivo ou normal) ou cinco (comparativo, superlativo, positivo, aumentativodiminutivo). Neste módulo, trataremos basicamente dos graus comparativo e superlativo.
Grau comparativo
Resulta de comparação entre duas características atribuídas ao mesmo substantivo ou da comparação da mesma característica atribuída a substantivos distintos. No grau comparativo estabelecem-se gradações de superioridade, igualdade e inferioridade:
Como você pode ver, no grau comparativo não se flexiona o adjetivo (exceto em raríssimos casos), mas utilizam-se expressões intensificadoras como mais... (do) que, tão... quanto (como) e menos...(do) que para as gradações comparativas de superioridade, igualdade e inferioridade, respectivamente. Na linguagem cotidiana é comum também o uso da expressão que nem para o comparativo de igualdade, que deve ser usada em situações formais somente quando houver indício de ideia consecutiva:
Os adjetivos grandepequenobom e mau têm formas sintéticas na gradação comparativa de superioridade: maiormenormelhor e pior, respectivamente. Essa regra também se aplica aos adjetivos jovem e velho, que possuem comparativos irregulares: júnior e sênior. Porém, as formas analíticas mais grande, mais pequeno, mais bom e mais mau são corretas quando se comparam características distintas atribuídas ao mesmo substantivo:




Observe que as formas menor e pior são comparativas de superioridade. Nos exemplos, menor significa que a pequenez de Samanta é superior à pequenez de Ariana e pior significa que a maldade de Tiago é superior à de Gustavo.

Alguns autores admitem como correta a expressão mais pequeno a par de menor:


Mais adiante, ao estudarmos o advérbio, veremos que melhor e pior são formas comparativas de advérbio, com o sentido de mais bem e mais mal, respectivamente:

Grau superlativo
superlativo é o grau mais intenso da característica atribuível a um substantivo. Essa característica pode estar relacionada a um único substantivo, sem referência a qualquer outro, ou atribuída ao substantivo tomado em relação a outro; no primeiro caso, tem-se o grau superlativo absoluto e, no segundo, o grau superlativo relativo:
a) Grau superlativo absoluto

Como você viu, o grau superlativo absoluto pode ser expresso por um adjetivo modificado por advérbio de intensidade (muito inteligente) ou por acréscimo de
sufixo ao adjetivo (inteligentíssima). Ou seja, a gradação de superlativo absoluto pode ser analítica ou sintética:

Há diversos recursos para se fazer a variação de grau superlativo absoluto, usado sobretudo na linguagem oral e até por escritores de renome - prefixos, repetição do adjetivo, expressões coloquiais, comparação, diminutivo, aumentativo e uso do artigo definido com ênfase e da expressão 'um senhor/uma senhora' seguido de substantivo. No internetês, com o advento da internet, isso é feito com a repetição de um fonema ou caixa alta:





Capítulo 04. Outras Classes Gramaticais

Relação de alguns superlativos absolutos sintéticos

ágil – agílimo
agradável – agradabilíssimo
amargo – amaríssimo
amigo – amicíssimo
áspero – aspérrimo
audaz – audacíssimo
benéfico – beneficentíssimo
benévolo – benevolentíssimo
capaz – capacíssimo
célebre – celebérrimo
célere – celérrimo
cruel – crudelíssimo
cru – cruíssimo
difícil – dificílimo
doce – dulcíssimo
dócil – docílimo
eficaz – eficacíssimo
fácil – facílimo
feliz – felicíssimo
feroz – ferocíssimo
fiel – fidelíssimo
frágil – fragílimo
frio – frigidíssimo
geral – generalíssimo
humilde – humílimo
jovem – juveníssimo


livre – libérrimo
magro – macérrimo
maléfico – maleficentíssimo
miserável – miserabilíssimo
miúdo – minutíssimo
negro – nigérrimo
nobre – nobilíssimo
notável – notabilíssimo

pessoal – personalíssimo
pobre – paupérrimo
possível – possibilíssimo
provável – probabilíssimo
respeitável – respeitabilíssimo
sábio – sapientíssimo
sagrado – sacratíssimo
são – saníssimo
semelhante – simílimo
sensível – sensibilíssimo
sério – seriíssimo
simpático – simpaticíssimo
simples – simplicíssimo
tenaz – tenacíssimo
terrível – terribilíssimo
veloz – velocíssimo
visível – visibilíssimo
voraz – voracíssimo

 Grau superlativo relativo
Além do absoluto, há o grau superlativo relativo, em que a intensidade (superior ou inferior) da característica atribuída ao substantivo é relacionada (relativa) a outros seres e coisas, constituintes de um conjunto dotado da mesma característica. Se o superlativo absoluto pode ser analítico ou sintético, o superlativo relativo é sempre expresso de forma analítica:



Capítulo 04. Outras Classes Gramaticais

Muitas vezes se omite o termo coletivo a que se relaciona a característica:

Nesse caso, supõe-se a existência de outros elementos “estranhos” como a significar:
Assim também ocorre em construções como:
Como você viu, as expressões o/a mais ... de (dentre) e o/a menos ... de (dentre) caracterizam o superlativo relativo na sua forma analítica. Há alguns adjetivos, porém, que admitem a forma sintética no grau superlativo relativo de superioridade: bom (o melhor), mau (o pior), grande (o maior), pequeno (o menor). Os adjetivos grande e pequeno admitem as formas o máximo e o mínimo, respectivamente.

Observe que esses adjetivos afastam-se, na sua formação de grau comparativo e superlativo, dos demais adjetivos. Incluem-se na regra os comparativos anterior, posterior, ulterior, exterior e interior e seus superlativos póstumo, último, extremo e íntimo, e as formas júnior e sênior, comparativos de jovem e velho. Interior se usa como substantivo em oposição a 'exterior', a 'capital' ou a 'litoral'. Incluem-se também as formas supremo (ou sumo) e ínfimo, superlativos irregulares de alto e baixo:
5. Advérbio

5.1. Conceitos fundamentais
Advérbio designa uma classe de palavras, invariáveis em gênero e número, que modificam o verbo, exprimindo a circunstância (modo, tempo, lugar, afirmação, negação, dúvida) em que seu processo ocorre. Podem ainda modificar o adjetivo (indicando intensidade ou modo), o advérbio (indicando intensidade) ou mesmo toda uma oração. Sintaticamente exercem apenas função de adjunto adverbial:




5.2. Classificação

Os advérbios classificam-se conforme a circunstância que exprimem. Eis alguns advérbios e locuções adverbiais. Algumas circunstâncias podem ser expressas por um simples advérbio ou por uma locução adverbial. Há outras que só podem ser expressas por locuções, como a de causa, meio, instrumento, companhia, finalidade, assunto, matéria, preço, oposição, concessão e condição. Alguns gramáticos citam outras circunstâncias adverbiais. Muitas parecem subdivisões destas, como a de frequência (subdivisão da circunstância de tempo):



  
Na sintaxe, o advérbio exerce unicamente a função de adjunto adverbial, embora este nem sempre seja representado por advérbio ou locução adverbial. É por isso que, na classificação específica do adjunto adverbial, o número de circunstâncias é bem maior que o número de circunstâncias dos advérbios listados no item II. Desse modo, além dos adjuntos adverbiais de
 afirmação, causa, dúvida, finalidade, intensidade, lugar, modo, negação e tempo, pode haver na oração adjuntos adverbiais de: assunto, companhia, concessão, condição, conformidade, distância, exclusão, fim, inclusão, matéria, medida, meio, instrumento, origem, peso, preço, troca / substituição, referência / limitação, favor, proporção, reciprocidade, argumento etc.

Advérbio interrogativo
Os advérbios onde?, aonde?, donde?, quanto?, para que?, quando?, como?, por quê? ocorrem em orações interrogativas diretas e indiretas

5.3. Grau
Alguns advérbios – sobretudo de modo, lugar, tempo e intensidade – apresentam variação de grau semelhante à dos adjetivos. Os de afirmação, negação e dúvida são invariáveis.
I. Grau comparativo
Analogamente ao que ocorre com os adjetivos, a graduação comparativa de superioridade, igualdade e inferioridade utiliza, respectivamente, as fórmulas: mais... (do) que, tão... como (quanto) e menos... (do) que:





Os advérbios bem e mal possuem formas sintéticas para a gradação comparativa de superioridade:


Diante de particípios com valor de adjetivos, usam-se as formas analíticas mais bem e mais mal:

Quando pospostos aos adjetivos particípios, usam-se tais advérbios na forma sintética:

II. Grau superlativo absoluto
O advérbio conhece a gradação superlativa absoluta analítica e sintética. A forma sintética forma-se com acréscimo de sufixo: pouquíssimo, muitíssimo, pertíssimo, longíssimo, lentissimamente etc.:
A forma analítica ocorre por meio de acréscimo de advérbio de intensidade: muito, pouco, bem, mal, muitíssimo, pouquíssimo etc.:

Na linguagem coloquial, e até por escritores renomados, são comuns as repetições e os diminutivos com valor superlativo:


Podem-se denotar os limites da possibilidade de uma circunstância quando se antepõe o mais ou o menos ao advérbio, seguido do adjetivo possível ou expressão equivalente:




5.4. Palavras e locuções denotativas
Algumas palavras e expressões têm, em relação às dez classes gramaticais, classificação à parte. Às vezes enquadradas entre os advérbios, elas são classificadas como palavras e locuções denotativas de:

a) exclusão: apenas, salvo, senão, só, somente, exclusive, menos, exceto, fora, tirante, sequer etc.;

b) inclusão: até, inclusive, mesmo, também, ainda, ademais, além disso, de mais a mais etc.;

c) designação: eis, vede, aqui está;

d) realce (expletiva): cá, lá, que, é que, só, se, mesmo, embora, sobretudo etc.;


e) retificação: aliás, ou antes, ou melhor, digo etc.;

f) situação: afinal, agora, então etc.;

g) afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem etc.;

h) explicação: isto é, a saber, por exemplo, ou seja, etc.;


i) adição: ainda, além disso;

j) afastamento: embora;

k) aproximação: quase, lá por, uns, bem, cerca de, por volta de etc.

6. Interjeição
Exprime sentimentos, emoções etc.: ah!, oh!, psiu!, bem!, bravo!, oxalá!, tomara!, ui!, hem!, bis!, upa!, oba!, opa!, ufa!, caramba!, viva!, céus!, puxa!, credo!, firme!, cruzes!, chi!, gente!, alô! etc.






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