quinta-feira, 25 de junho de 2020

Capítulo 05 - Concordância, Regência e Crase (4)




3.2. Regência de Alguns Nomes
Assim como os verbos, alguns nomes (substan-tivo, adjetivo e advérbio) podem apresentar mais de uma regência. Alguns advérbios terminados em -mente exigem a mesma preposição dos adjetivos de que derivam:
Seguem alguns substantivos e adjetivos com as respectivas regências.
acessível a
acostumado a, com
adaptado a
afável a, com, para com
aflito com, por
agradável a
alheio a, de
alienado de
alusão a
amante de
ambicioso de
analogia com, entre
análogo a
ansioso de, para, por
apto a, para
atento a, em
aversão a, para, por
ávido de, por
benéfico a
capaz de, para
certo de
compatível com
compreensível a
comum a, de
constante de, em
constituído de, por, com
contemporâneo a, de
contíguo a
contrário a
cuidadoso com
curioso de, a
desatento a
descontente com
desejoso de
desfavorável a
devoto a, de
diferente de
difícil de
digno de


entendido em
equivalente a
erudito em
escasso de
essencial para
estranho a
fácil de
falha de, em
favorável a
fiel a
firme em
generoso com
grato a
hábil em
habituado a
horror a
hostil a
idêntico a
imbuído em, de
impossível de
impróprio para
imune a, de
incompatível com
inconseqüente com
indeciso em
independente de, em
indiferente a
indigno de
inepto para
inerente a
inexorável a
leal a
lento em
liberal com
medo a, de
misericordioso com, para com
natural de
necessário a
negligente em
nocivo a
ojeriza a, por, contra
paralelo a
parco em, de
passível de
perito em
permissivo a
perpendicular a
pertinaz em
possível de
possuído de
posterior a
preferível a
prejudicial a
prestes a, para
propenso a, para
propício a
próximo a, de
relacionado com
residente em
responsável por
rico de, em
seguro de, em
semelhante a
sensível a
situado, sito em, entre
suspeito de, a
transversal a
útil a, para
versado em
vizinho a, de, com


4. Acento Grave (Crase)
4.1. Há / A
Nas expressões indicativas de tempo, é preciso não confundir a grafia do a (preposição) com a grafia do  (verbo haver).
Para evitar enganos, basta lembrar que, nas referidas expressões:
● a (preposição) indica tempo futuro (a ser transcorrido).
Exemplo: Daqui a pouco terminaremos a aula. (futuro)
●  (verbo haver) indica tempo passado (já transcorrido).
Exemplo:  pouco recebi o seu recado. (passado)
4.2. Crase (Conceito)
A palavra crase designa a contração de duas vogais idênticas. À gramática normativa interessa, sobretudo, a fusão da preposição a com:
● artigo feminino definido a (ou as):
● pronome demonstrativo a (ou as), que significa aquela, aquelas:
● a vogal a que inicia os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:
● a dos pronomes relativos a qual e as quais:
Nesses casos, a ocorrência do fenômeno da fusão dessas vogais é indicada sempre pelo acento grave (`). Seu emprego depende, pois, da verificação da ocorrência dessas vogais (preposição + artigo, preposição + pronome) no contexto sintático. Como obrigatoriamente o primeiro a é preposição, exigida quase sempre por um verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio, a crase é um fato gramatical estreitamente relacionado à regência verbal e nominal.
Analise atentamente as frases abaixo:
Encontrei a menina.
Gostei da menina.
Conversei com a menina.
Agradei à menina.
No primeiro caso, o verbo encontrar não exige a preposição a, já que é transitivo direto; por isso, o substantivo menina é precedido apenas de artigo. Nos dois casos seguintes os verbos gostar e conversar, transitivos indiretos, exigem preposi-ção que se contrai (da) ou não (com a) com aquele artigo. Por último, o verbo agradar, na acepção de “ser gentil”, “ser agradável”, é transitivo indireto e exige a preposição a, que se contrai com o artigo a e disso resulta a crase.


4.3. Ocorre crase
 Antes de substantivo feminino que exija artigo:
 Antes do substantivo, quando se puder subentender as palavras moda ou maneira:
 Antes de numeral, seguido da palavra hora, mesmo subentendida, ou de numeral ordinal feminino:
 Com o a dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) , aquilo, quando com-pletam o sentido de um verbo que exija preposição:
 Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitem o artigo a:
Nem todos os nome de localidade aceitam o artigo. 
Haverá crase, porém, se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o modifique (adjetivo ou locução adjetiva):
 Quando o artigo está desacompanhado do respectivo substantivo:
 Nas locuções prepositivas, conjuntivas e adverbiais femininas, exceto nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, a menos que cause ambiguidade:
prepositivas: à custa de, à procura de, à beira de, à espera de etc;
conjuntivas: à medida que, à proporção que;
adverbiais femininas: às vezes, à tarde, à noite, à direita, à esquerda, à vontade, às pressas, à francesa. à beça, à vista etc.
 No a que precede os pronomes que, qual e quais, quando o verbo ou o nome exigir preposição. Isto pode ser verificado, substituindo-se o antecedente por uma palavra masculina. Se o a se transformar em ao, há crase:
 Antes da palavra terra, se esta não for antônima de bordo:
 Antes da palavra casa, se esta vier determinada:


4.4. Não Ocorre Crase
Na locução a distância, a menos que se determine a distância:
O líder assistia a tudo a distância. (indeterminada - locução adverbial)
O líder assistia a tudo à distância de cem metros. (determinada - locução prepositiva)
Nas locuções de palavras repetidas: cara a cara, face a face...
4.5. O Acento Grave é Facultativo
 Antes de nome próprio referente a pessoa. Quando qualificados com adjunto adnominal, a crase é obrigatória. Antes de pessoas célebres, não há crase, a menos que o nome venha adjetivado:
Ofereci um poema a/à Maria Rita.
● Antes de pronome possessivo no singular, desde que seja pronome adjetivo. Antes de pronomes possessivos no plural, a crase é obrigatória ou proibida. Antes de pronomes possessivos substantivos, a crase é de rigor. Antes de possessivos que denotem nomes de parentesco, a crase é desnecessária, exceto em casos de intimidade.
Dirigiu-se a palavra a/à nossa líder.
 Com a preposição até (pois ao lado da preposição até temos também a locução prepositiva até a). Quando o até funciona como palavra denotativa de inclusão, sinônima de inclusive, não possui a variante até a.
Fui até a/à rua.
4.6. Regras práticas
I. Primeira Regra Prática
Ocorre a crase sempre que, ao se substituir a palavra feminina por uma masculina, aparece a combinação ao:
Amanhã iremos ao colégio. (termo que exige preposição + termo que admite artigo = ocorrência confirmada)
 Amanhã iremos à escola.
Prefiro o Corinthians ao Palmeiras. 
 Prefiro o Corinthians à Portuguesa.
Resolvi o problema. (somente termo que admite artigo = ocorrência negada)
 Resolvi a questão.
Essa regra prática nada mais é que uma decorrência da regra geral; por isso, esbarra na impossibilidade da crase se a palavra feminina não admite artigo:
Iremos todos ao Rio de Janeiro.
Iremos todos a Brasília.
II. Segunda Regra Prática
Para verificar a ocorrência do artigo a, transforma-se a palavra (a respeito da qual haja dúvida) em sujeito de uma oração qualquer:
a) Iremos todos a Brasília (?) ou Iremos todos à Brasília (?)
A palavra Brasília como sujeito: Brasília foi concebida por Lúcio Costa e Niemeyer.
Logo: 
 Iremos a Brasília de Renato Russo (?) ou Iremos todos à Brasília de Renato Russo (?)
A palavra Brasília como sujeito:
A Brasília de Renato Russo era agitadíssima à noite.
Logo: Iremos à Brasília de Renato Russo.
Brasília, como referência à capital do Brasil, não admite o artigo, só se fosse o carro, admitiria o artigo.
Observe que nomes de cidade não admitem, em geral, qualquer artigo. Porém, modificados por adjunto adnominal, passam a admiti-lo:
Retornarei a Curitiba no próximo ano.
Retornarei à Curitiba de Dalton Trevisan.
III. Terceira Regra Prática
Decorrente da regra geral é a fórmula mnemônica abaixo:
Pode-se usar tal dispositivo prático sobretudo em orações com verbos que exprimem movimento:
 Amanhã voltaremos a biblioteca (?) ou Amanhã voltaremos à biblioteca (?)
“Se vou à biblioteca e volto da biblioteca, crase há”
Então: Amanhã voltaremos à biblioteca.

 Amanhã voltaremos a Goiânia (?) ou
Amanhã voltaremos à Goiânia (?)
“Se vou a Goiânia e volto de Goiânia, crase pra quê?”
Então: Amanhã voltaremos a Goiânia.
IV. Quarta regra prática
Usa-se o acento grave sobre o a quando ele equivale a para a, na, pela, com a:
Ofereci ajuda à coordenadora = Ofereci ajuda para a coordenadora.
Mas: Ofereci ajuda a ela = Oferecei ajuda para ela.
Esperei por você à porta da escola = Esperei por você na porta da escola.
Às duas horas sairemos = Pelas duas horas sairemos.

Capítulo 05 - Concordância, Regência e Crase (3)

2.6. Sujeito Oracional e Infinitivos
Se os núcleos do sujeito composto são infinitivos substantivados com a determinação de artigos, o verbo flexiona-se no plural:
Admite-se, porém, o singular ou o plural desde que o verbo se anteponha ao sujeito ou se os infinitivos não vierem precedidos de artigo:
O verbo deve permanecer no singular, caso o seu sujeito seja uma oração subordinada substantiva subjetiva. Se houver um adjetivo, este deverá permanecer na sua forma neutra, ainda que a oração seja reduzida, exceto se os núcleos do infinitivo forem antônimos ou estiverem determinados:
2.7. Sujeito e Pronome
Pode um sujeito ser constituído de locução pronominal composta de pronome interrogativo ou indefinido seguido de oblíquos tônicos (nós, vós, eles, elas) ou de você (vocês). Se o primeiro pronome da locução estiver no singular, o verbo permanecerá também no singular:
Desde que o primeiro pronome da locução esteja no plural, é indiferente a concordância com o primeiro ou com o segundo pronome:



Com o sujeito sendo as expressões um e outro, uma e outra, nem um nem outro, nem uma nem outra, admite-se o singular ou o plural:
Se os indefinidos forem conectados por ou, o verbo concordará no singular, a menos que se pretenda denotar inclusão:
Em estruturas sintáticas com o pronome expletivo que antecedido de pronome ou substantivo, o verbo concordará na pessoa e número do antecedente:
Se, nessas estruturas, em vez de que usarmos o pronome quem, o verbo concordará com ele na terceira pessoa do singular, neste caso é um pronome indefinido. Algumas gramáticas admitem a concordância do verbo com o antecedente, quando se pretende fazer uma concordância enfática, e, neste caso, é pronome relativo:
2.8. O Verbo parecer
Em construções com parecer seguido de verbo no infinitivo, admitem-se duas concordâncias. Em orações desenvolvidas, o verbo fica no singular. Se após o verbo parecer seguir-se um infinitivo pronominal, há somente o período composto:
Em a, o verbo parecer é verbo auxiliar que concorda em pessoa e número com o sujeito, numa construção sintática convencional. Já em bparecer constitui oração principal modificada por oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo pessoal que, desenvolvida, assim ficaria:
Outros exemplos:
2.9. O Verbo haver
Como a maioria das palavras, o verbo haver é plurissignificativo, ou seja, encerra diversos significados detectáveis pelo contexto de que faz parte. Essa polissemia acarreta algumas dúvidas para o usuário da língua, especialmente em termos de concordância.
Você já encontrou o verbo haver em mais de um capítulo e constatou que ele pode constituir sozinho uma oração, bem como pode figurar em locuções, seja como auxiliar, seja como verbo principal.
Lembre-se sempre de que, em meio a vários significados que pode conter, o verbo haver é impessoal apenas quando exprime existênciaocorrência, acontecimento ou quando indica decurso de tempo. Nesses casos, deve permanecer na terceira pessoa do singular:

Como verbo pessoal, porém, concorda normal-mente com o sujeito em número e pessoa:
Quando se usa o verbo haver como simples auxiliar numa locução verbal, comporta-se sintatica-mente conforme a natureza do verbo principal a que se antepõe:
Empregado como verbo principal impessoal em locuções, seu primeiro verbo auxiliar permanecerá na terceira pessoa do singular:
Como principal pessoal, o verbo haver tem sujeito com o qual o verbo auxiliar concorda em número e pessoa:
O verbo haver aparece na expressão haja vista, que admite três construções (em que vista é invariável, como conectivo, não existem as formas haja visto, haja vistos e haja vistas. Haja visto é tempo composto do verbo ver):
Em sentenças optativas e imprecativas, haver concorda com o sujeito quando nas expressões bem haja e mal haja. O mesmo ocorre com os verbos viver e morrer, em orações optativas e imprecativas. Caso se substitua a forma verbal 'viva' por 'salve', este será interjeição e, portanto, invariável, por ter perdido o sentido verbal que tinha no latim:
2.10. O Verbo ser
Quando na marcação de datas, horas e dis-tâncias, o verbo ser é o único impessoal que pode flexionar-se no plural:
Nessas circunstâncias, também o auxiliar de ser deve ser flexionado:

Anteposto a verbo no particípioser é marca das vozes passivas analíticas mais usuais. É sempre o penúltimo verbo das locuções passivas, as quais contêm dois, três ou quatro verbos. Como primeiro verbo de tais locuções, concorda em número e pessoa com o sujeito paciente, no mesmo tempo e modo do verbo na forma ativa:
Sendo o segundo auxiliar de uma locução passiva, é invariável em número e pessoa, e fica na mesma forma nominal do verbo principal da locução ativa correspondente:
Como terceiro auxiliar de uma locução passiva, permanece no particípio masculino e singular, ou no gerúndio:
Normalmente identificado como verbo de ligação, ser concorda com o sujeito em número e pessoa, de acordo com o princípio geral. Todavia, em situações especiais, pode concordar com o predicativo do sujeito. Há uma ordem de prevalência a que, entretanto, nem sempre se obedece.
● pessoa prevalece sobre coisa:
● nome próprio prevalece sobre substantivo comum:
● plural prevalece sobre singular, não ha-vendo a oposição “coisa”/“pessoa”:
● pronome reto prevalece sobre quaisquer palavras:
Quando o sujeito é constituído por tudo, o, isto, isso ou aquilo, o verbo ser concordará preferen-cialmente com o predicativo:
Quando o sujeito exprime peso,  medida, preço, tempo, valor, quantidade e o predicativo indica insuficiência, suficiência ou excesso, o verbo ser concorda no singular:


O principal objeto da Regência é a relação de dependência (subordinação) entre termos nominais ou verbais, denominados regentes ou subordinantes, e os termos que os determinam, complementos ou adjuntos, denominados regidos ou subordinados. Quando o termo regente é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), a regência é nominal. Quando o termo regente é um verbo nocional, seja ele transitivo ou intransitivo, e indica ação, a regência é verbal. A regência nominal é sempre preposicionada. A regência verbal pode ou não ser preposicionada. Observe, na oração abaixo, a interdependência dos termos:
3.1. Regência de Alguns Verbos